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Análise: Decisão de Putin atinge velha guarda | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente russo, Vladimir Putin, surpreendeu a Rússia e o mundo com o anúncio súbito de que todo seu governo estava sendo demitido. Mas o movimento a caminho dessa decisão vinha sendo construído há meses, com a consolidação de aliados de Putin no complexo mundo de lutas de poder dentro do Kremlin.
A forte pancada de Putin em seu governo a menos de três semanas das eleições presidenciais tinha quase certamente um alvo: o primeiro-ministro Mikhail Kasyanov. "Eu diria que não é a demissão do governo. É a demissão de Mikhail Kasyanov", disse Sergei Markov, do Instituto de Estudos Políticos de Moscou."De acordo com a Constituição, Putin não pode fazer isso sem demitir todo o gabinete." Remanescente Demitir um gabinete inteiro para tirar uma pessoa pode parecer excessivo, mas Kasyanov representava uma era, não apenas uma única figura. Ele foi indicado na era de Boris Yeltsin e era um dos poucos que sobreviveram à marcha de entrada de aliados de Putin no Kremlin. "É um movimento simbólico. Putin se levantou e disse: Quero deixar claro que todas as ligações com a família de Boris Yeltsin e seu filho, Kasyanov, foram cortadas", disse Igor Bunin, do Centro de Tecnologias Políticas. A iniciativa de Putin também foi definida como um movimento de "fim do império" contra os homens de Yeltsin. "É muito positivo porque mostra que Putin está cortando os últimos laços com a era Yeltsin", diz Erik Wigertz, do United Financial Group. Muitos analistas, incluindo Igor Bunin, esperavam que o expurgo viesse depois das eleições. Mas no final, psicologia e simbolismo tiveram influência, segundo Bunin. Para ele, Putin simplesmente não suportava Kasyanov, e os dois estavam em desacordo em áreas importantes da economia. Família versus clã Kasyanov era o último grande nome da era de Yeltsin que ainda estava no Kremlin, dentro do que se chamava a "família". A vítima mais recente de alto escalão tinha sido o chefe de gabinete, Alexander Voloshin, que foi demitido pelo presidente em outubro de 2003. Voloshin, como Kasyanov, é um liberal com fortes simpatias pelos oligarcas que fizeram suas fortunas nos dias caóticos da privatização conduzida por Yeltsin. Na medida em que os membros da "família" liberal foram sendo demitidos, seus lugares foram sendo ocupados por membros da linha dura do "clã" de Putin. Alguns são aliados desde a vida anterior de Putin como chefe do antigo serviço secreto russo, a KGB. Outros são de sua terra natal, São Petersburgo. Voloshin, por exemplo, foi substituído por seu vice, Dmitry Medvedev, um aliado próximo de Putin, originário de São Petersburgo. A perda de Voloshin – fortemente ligado a Kasyanov – deixou o primeiro-ministro exposto. Analistas dizem também que suas outras qualidades para o posto – habilidade na administração da economia e ligações com os oligarcas – perderam significado. 'Tsar Vlad' "As três razões deixaram de ser importantes", disse Sergei Markov. O presidente da Rússia, admirado por muitos russos por sua liderança forte, já está rumando para as eleições presidenciais de 14 de março com uma liderança inatingível. Seu mais recente ato como um homem duro deve lhe assegurar ainda mais respeito eleitoral. "Ele ganha tempo. O novo governo pode ser indicado antes do que teria sido se ele tivesse feito isso depois das eleições", disse Wigertz. "Ele mostra força e que não tem medo de controvérsia." Putin já tinha sido apelidado de "Tsar Vlad" durante sua consolidação no poder. Essa última decisão provavelmente vai reforçar sua mão – e sua imagem – ainda mais. |
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