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Atualizado às: 10 de março, 2004 - 20h42 GMT (17h42 Brasília)
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Putin quer reinventar Rússia com modelos do passado, diz analista

Vladimir Putin
Vladimir Putin foi chefe da polícia secreta russa, KGB
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, quer reinventar a Rússia, mas o problema é que para alcançar esse objetivo, vem fazendo uso de métodos do passado.

É essa a opinião de Lilia Shevtsova, uma das principais analistas políticas da Rússia e integrante do Carnegie Endownement.

"Ele não quer ser uma nota de rodapé na história da Rússia, mas o problema é que ele quer reinventar o país com modelos do passado, usando os mesmos velhos meios autoritários", disse ela em entrevista à BBC Brasil.

Segundo Shevtsova, após ter obtido um quadro de estabilidade econômica, Vladimir Putin enfrenta um dilema entre ser um mero estabilizador ou se transformar num verdadeiro reformista.

"Putin precisa decidir se continuará dançando a mesma valsa, com um passo para a frente e dois para trás, ou se vai promover mudanças profundas na maneira como a Rússia vem sendo administrada há séculos", afirma Shevtsova.

Modelo centralizador

No entender de Shevtsova, Putin criou um modelo presidencial centralizador, no qual a oposição exerce um papel de pouca ou nenhuma relevância. Um quadro onde movimentos da sociedade civil têm remotas possibilidades de florescer e no qual a mídia tem sua liberdade cerceada, especialmente no que diz respeito a críticas ao presidente.

"Ele precisa criar instituições independentes. Não sei que rumo Putin irá tomar, mas, no momento, ele parece disposto a seguir implantando reformas de caráter econômico, nos setores administrativo, bancário e fiscal. É um trabalho duro."

As mudanças no gabinete presidencial, anunciadas por Putin nesta terça-feira, parecem indicar a tendência do presidente de seguir promovendo mudanças estruturais.

O novo gabinete de Putin conta com 17 ministros – 13 a menos do que no gabinete anterior. Entre os ministros que mantiveram seus postos estão dois
reformistas liberais - German Gref, ministro do Desenvolvimento e do Comércio, e Alexei Kudrin, ministro das Finanças. A manutenção da dupla foi bem recebida por investidores russos e internacionais.

Durante encontro do novo gabinete transmitido na terça pela TV russa, Putin disse que as mudanças transformam o governo em ‘‘um moderno e eficiente instrumento administrativo’’.

KGB

Mas além de se cercar de liberais, Putin também indicou ministros egressos das forças de segurança russas. É o caso do novo ministro do Interior, Rashid Nurgaliyev, que, assim como Putin, pertenceu à KGB na era soviética.

Para Lilia Shevtsova, o equilíbrio entre liberais e membros dos serviços de segurança é indicativo da crença de Putin que "ele precisa seguir com seu modelo presidencial autoritário para implantar reformas de mercado".

"Não tenho certeza de que esse modelo pode funcionar, vide o caso de Pinochet no Chile. Estes regimes só podem ser bem-sucedidos quando se toma um país que segue um modelo atrasado, agrário e o insere num modelo industrial. Mas a Rússia já vive um modelo pós-industrial", afirma.

Ainda que Shetvsova julgue que a estabilidade por si só não basta, muitos russos não pensam assim - que o digam os índices de popularidade do presidente para a eleição de domingo que, segundo institutos de pesquisa locais, oscilam entre 70 e 80%.

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