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'Mães de Soldados' são nova força política na Rússia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nenhum candidato parece ser páreo para Vladimir Putin nas eleições deste domingo, mas seu sucessor em 2008 pode enfrentar uma séria adversária na figura de alguma senhora russa de meia-idade. A organização Comitê das Mães de Soldados da Rússia – um dos raros movimentos da sociedade civil russa e também um dos mais expressivos – criou no início deste ano um partido político que visa a fazer oposição a Putin e, em particular, à sua política em relação à Chechênia. “Putin só admite como certa a sua maneira de conduzir o conflito na Chechênia. Qualquer outra saída política, ele descarta”, diz Valentina Melnikova, a coordenadora do Comitê. O Partido Unido das Mães dos Soldados ainda não tem sequer registro e nem conta com representantes na eleição deste domingo. ‘‘Mas em meio à ruína política em que vivemos, somos as únicas a combater o governo, mesmo sem ainda termos um partido no sentido formal’’, afirma Melnikova. Conflitos A decisão de transformar o movimento em partido político se deu ao final do ano passado, após a realização de um congresso que reuniu as 200 associações que integram o movimento das mães de soldados. “Mas logo após o congresso, o Ministério da Justiça disse que jamais iria registrar tal partido. Mas o movimento já está preparando os documentos necessários para o registro oficial. A organização surgiu ainda na antiga União Soviética, em 1989, criado por mães de soldados russos, cazaques e dos países bálticos que queriam impedir que seus filhos abandonassem os estudos para tomar parte em conflitos militares. “Naquela época, o governo dizia que éramos agentes da CIA. Recentemente, o discurso mudou. Há um ano, o então ministro da Defesa, Sergei Ivanov, disse ser ‘necessário levantar de onde vem o dinheiro deste comitê’. É fácil responder. Como prevê a lei russa, recebemos financiamento de ONGs internacionais", diz Melnikova. O conflito na república da Chechênia, situada na região do Cáucaso, foi uma das principais plataformas eleitorais de Putin em 2000. Ainda como primeiro-ministro, em 1999, Putin deu início ao que chamou de ‘‘ação antiterrorista’’ na Chechênia, após a realização de atentados na Rússia que mataram mais de 300 pessoas. Dúvidas Ainda que muitos jornalistas tenham levantado suspeitas sobre os verdadeiros autores dos ataques, o governo russo atribui-o a rebeldes separatistas chechenos e usou esse pretexto para dar início à ação militar na Chechênia. A estimativa oficial do Ministério da Defesa russo é de que 4.572 soldados russos tenham morrido no conflito checheno entre 1999 e 2000. Já o Comitê das Mães de Soldados tem uma estimativa bem mais elevada, de que ao todo 11 mil soldados morreram na ação militar na Chechênia. A estimativa oficial russa não inclui civis chechenos entre os mortos, que segundo contagens de ONGs pode até exceder 200 mil. Além da morte de civis, diversas entidades levantam regularmente acusações relativas a supostos estupros, torturas e pilhagens realizadas por tropas russas contra civis chechenos. 'Enérgicas' De acordo com Valentina Melnikova, que mantém contato regular com as mães chechenas que recorrem a seu instituto, a dura vida militar russa vem embrutecendo os soldados jovens. ‘‘Para os oficiais russos, seus soldados são como animais ou como pessoas de terceira categoria. Além disso, na Rússia, a ordem do comandante tem sempre de ser cumprida, mesmo quando ilegal. É por isso que esse conflito precisa acabar", alerta. A melhor maneira de contribuir para o fim da ação militar na Chechênia, segundo ela, é por meio de atividades políticas. Melnikova diz ainda não saber quem será a candidata das mães dos soldados a presidente, mas avalia que não será fácil decidir. ‘‘Temos várias mulheres enérgicas em nossos quadros.’’ |
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