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Atentados contra xiitas deixam 182 mortos no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A série de explosões que atingiu as cidades de Karbala e Bagdá nesta terça-feira deixou um total de 182 mortos, de acordo com autoridades americanas na capital do Iraque. Um porta-voz das forças dos Estados Unidos afirmou que outras 430 pessoas ficaram feridas. O atentado em Bagdá teria sido causado por três militantes suicidas, e um quarto foi preso, segundo as autoridades americanas. Em Karbala, as explosões foram provocadas por um ataque suicida, explosivos detonados por controle remoto e disparos de morteiros. Seis pessoas foram presas na cidade por causa dos atentados. Os ataques tiveram como alvo a celebração do Festival de Ashura, que reuniu milhares de muçulmanos xiitas e foi comemorado livremente no Iraque pela primeira vez em 30 anos. Acusações Líderes americanos e iraquianos culpam um homem que eles dizem ter relação com a Al-Qaeda pelos incidentes. Mas o líder supremo dos xiitas, aiatolá Ali Al-Sistani, criticou os Estados Unidos por falhar em garantir a segurança nas fronteiras do país e permitir ataques de estrangeiros. "Nós entendemos que a responsabilidade é das forças de ocupação, cuja função é também controlar as fronteiras do país e impedir a entrada de estrangeiros, e que não treinaram as forças militares do Iraque e nem forneceram os equipamentos necessários para o seu trabalho", disse ele em declaração. O aiatolá também pediu que a população se una contra as forças que querem desestabilizar o país. A Casa Branca disse que, mesmo com os ataques, a transferência de poder aos iraquianos será feita em junho. Festival O evento marca o aniversário da morte do imã Hussein, neto do profeta Maomé, em 680 d.C. A morte de Hussein é celebrada com cânticos rítmicos e auto-flagelações rituais dos devotos, todos vestidos de preto. A morte de imã nas mãos do califa Yazid consolidou a cisão entre sunitas e xiitas sobre quem deveria liderar o islamismo. O Festival de Ashura era severamente restrito no período do ex-líder iraquiano Saddam Hussein. Saddam temia que o festival de massas tivesse o potencial de incentivar rebeliões, segundo Heba Saleh, correspondente da BBC. Na época, peregrinos do Irã – que esteve em guerra com o Iraque – não eram bem-vindos a Karbala, um dos lugares sagrados para os xiitas. A celebração do Festival de Ashura era limitada pela proibição do ritual de auto-flagelação e corte da pele. Outros líderes antes de Saddam Hussein também procuraram limitar os rituais de massa dos xiitas, de otomanos aos britânicos no século passado. Neste ano, muitos dos devotos em Karbala viajaram ilegalmente do Irã, que, como o Iraque, tem uma população de maioria xiita. Alguns visitantes dormiram em barracas ou nas ruas e receberam alimentos fornecidos por voluntários. A segurança foi reforçada, com barreiras miltares em torno de Karbala. Militares poloneses policiaram as entradas da cidade e milícias religiosas foram mobilizadas nos locais sagrados. Leia também: |
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