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Adiamento de referendo pode escalar crise na Venezuela, diz analista

Manifestantes anti-Chávez em Caracas
Os protestos começaram na sexta-feira
O adiamento da decisão sobre o referendo para encurtar o mandato do presidente Hugo Chávez pode escalar ainda mais a crise política na Venezuela e aumentar a desconfiança da população em relação ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o órgão responsável por analisar o abaixo-assinado que pede o referendo e organizar todo o processo de votação.

A avaliação é da cientista política Elza Cardoso, professora da Universidade Central de Caracas. "Em toda a minha vida, nunca vi a sociedade venezuelana tão dividida", afirmou Elza à BBC Brasil. Ela acha que só o referendo pode levar o país de volta ao caminho da reconciliação.

"Sem isso, a situação será mais e mais violenta. Com protestos e repressão", avalia.

Os protestos que começaram na sexta-feira, com uma passeata e a tentativa de entregar um documento aos chefes de Estado presentes na reunião de cúpula do G-15, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, continuaram diariamente até esta segunda-feira, com forte repressão policial em alguns locais.

Mortes

Quatro pessoas já morreram nos confrontos. Os manifestantes fecharam ruas queimando pneus e sacos de lixo nos bairros mais sofisticados da capital, onde a maior parte da população é contrária a Chávez.

Apesar da crise econômica que atingiu o país nos últimos dois anos e encolheu o PIB em cerca de 20% e do aumento do desemprego, Elza Cardoso acha que o maior problema do país é a profunda divisão que se produziu nos últimos anos entre os que são contra e os que são a favor do presidente Chávez.

"O mais grave é a divisão política e social. As pessoas já não podem conversar sobre política", afirma Elza Cardoso. "A única solução é reduzir a tensão e tentar um diálogo, mas isso não está acontecendo. Pelo contrário", diz ela.

As manifestações de domingo, contra e a favor de Chávez, mostram que o volume das discussões está aumentando em vez de baixar. Num discurso de duas horas para uma multidão que veio a Caracas para uma megamanifestação de apoio ao presidente, Chávez criticou o governo americano e desafiou o presidente George W. Bush a apostar quem deixaria o poder primeiro.

Ao mesmo tempo, a Coordenadora Democrática, frente de oposição que reúne 18 partidos políticos e 39 organizações, responsável pela coleta de assinaturas, convocou a população a continuar protestando nas ruas, pressionando pela realização do referendo.

Adiamento

O CNE adiou para esta segunda-feira, a pedido da OEA (Organização dos Estados Americanos) e do Centro Carter, observadores do processo, a divulgação dos números parciais das assinaturas válidas no abaixo-assinado pedindo o referendo.

Mas, na prática, a definição só sai no dia 25 deste mês, depois que o CNE confirmar a validade das assinaturas que serão verificadas no processo chamado de "reparo". De acordo com as regras anunciadas domingo pelo CNE, a checagem das assinaturas sob suspeita de fraude será feita entre os dias 18 e 22 de março em mil centros espalhados pelo país.

Se o número de assinaturas válidas for muito inferior ao necessário, ficará difícil, para a oposição, conseguir as 2,45 milhões necessárias para a realização do referendo.

A Coordenadora Democrática alega que o prazo de cinco dias e a instalação de apenas mil postos de coleta tornam essa tarefa muito difícil. Nas eleições gerais, instalam-se 8,5 mil postos eleitorais em todo o país.

Os números ainda não foram divulgados oficialmente mas, de acordo com a imprensa venezuelana, as assinaturas válidas devem somar cerca de 1,9 milhão. A Coordenadora Democrática disse ter entregue 3,14 milhões de assinaturas pedindo o referendo.

A OEA e o Centro Carter defendem a checagem das assinaturas através de uma amostra, para permitir que o prazo seja cumprido.

O presidente do CNE, Franscisco Carrasquero, chegou a anunciar nesta segunda-feira que o Centro Carter estaria se retirando do caso. Logo em seguida, a diretora do Programa para as Américas da entidade, Jennifer McCoy, e o representante do Centro no país, Francisco Diez, disseram que houve um mal-entendido.

"Eu e Francisco Diez estamos indo embora de Caracas entre hoje e amanhã, mas isso já era previsto, e outras pessoas virão nos substituir", afirmou Jennifer McCoy, que mora em Atlanta, nos Estados Unidos, onde fica a sede do Centro Carter.

A oposição também denuncia o atraso na decisão sobre o referendo para adiar o processo até depois de agosto.

Só haverá eleições para presidente se um eventual resultado negativo para Chávez sair até 19 de agosto, quando seu mandato completa quatro anos.

Depois disso, ele seria substituído pelo vice-presidente, que não é eleito, mas indicado pelo próprio Chávez.

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