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Decisão sobre referendo é adiada na Venezuela | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela adiou para segunda-feira a decisão sobre o número de assinaturas válidas para realizar um referendo para decidir sobre o encurtamento do mandato do presidente Hugo Cháves. A decisão estava prometida para este domingo e só foi anunciada depois das 19 horas. O Centro Carter e a Organização dos Estados Americanos (OEA), observadores internacionais do processo, apoiaram a decisão do CNE, mas a oposição a Chávez, organizadora do abaixo-assinado que pede o plebiscito, instou a população a continuar nas ruas protestando. Protestos diários vem sendo realizados em Caracas – com choques com a polícia – desde sexta-feira. “Entendemos e apoiamos a decisão do CNE. Consideramos que em momentos de tensão como este, é importante preservar a calma”, disse Jennifer McCoy, diretora do programa Américas do Centro Carter e responsável pelo acompanhamento da situação da Venezuela. Ela fez uma declaração de apenas um minuto e se retirou sem responder às perguntas dos jornalistas. Fernando Jaramillo, chefe da missão da OEA em Caracas, disse que continua trabalhando junto com as autoridades eleitorais venezuelanas. “Esperamos de verdade que as pessoas entendam os esforços que todas as partes estão fazendo”, afirmou. O governador do Estado de Miranda, Enrique Mendoza, presidente da Coordenadora Democrática, frente que reúne 18 partidos e 39 organizações de oposição a Chávez, denunciou a violência com que as manifestações foram reprimidas pela polícia e pediu à população que continue com os protestos. “Chamamos o país a continuar a resistência pacífica, em defesa da Constituição. Chamamos todos os venezuelanos a organizar redes de defesa do referendo. Essas redes serão o suporte desta luta que durará o que seja necessário e terá a intensidade que for necessário”, afirmou Mendoza. “A sociedade democrática deve demonstrar sua força. O protesto deve seguir pacífico, massivo e contundente”, completou. O líder da oposição também anunciou um calendário de grandes manifestações por todo o país durante a semana, mas disse que os protestos localizados continuariam em Caracas. Neste domingo, enquanto esperavam a decisão do CNE, os venezuelanos foram às ruas de Caracas em manifestações de apoio e repúdio ao presidente Hugo Chávez. A manifestação de apoio ao presidente reuniu pessoas de todo o país numa grande concentração no Jardim Botânico, com uma grande festa pacífica e com pouca presença policial, que contou com a presença de Chávez no fim da tarde. O presidente cantou e discursou por duas horas. Já a manifestação contra Chávez e a favor do referendo, teve confrontos com a Guarda Nacional, que já havia reprimido protestos semelhantes na sexta-feira e no sábado. Em Altamira, um bairro sofisticado da capital, manifestantes jogaram pedras nos policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo. Ruas foram fechadas ao trânsito e pneus e sacos de lixo foram queimados em vários bairros da cidade. A única decisão anunciada pelo CNE neste domingo foi a maneira como será feita a revisão das assinaturas consideradas duvidosas – com suspeita de fraude. Elas terão que ser confirmadas em mil postos eleitorais que vão funcionar entre os dias 18 e 22 de março. |
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