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Grupos pró e contra Chávez vão às ruas em Caracas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os venezuelanos foram às ruas de Caracas neste domingo em manifestações de apoio e repúdio ao presidente Hugo Chávez, enquanto esperavam a resposta do Conselho Nacional Eleitoral sobre a contagem das assinaturas válidas para a realização de um referendo para decidir se o presidente deve deixar o cargo antes do fim do mandato, em 2006. A manifestação de apoio ao presidente reuniu pessoas de todo o país numa grande concentração no Jardim Botânico, com uma grande festa pacífica e com pouca presença policial. Já a manifestação contra Chávez e a favor do referendo, teve confrontos com a Guarda Nacional, que já havia reprimido protestos semelhantes na sexta-feira e no sábado. Cerca de 1 milhão de pessoas, de acordo com o governo, estiveram na manifestação de apoio a Chávez. Carnaval As ruas foram tomadas por homens e mulheres vestindo camisetas, bonés e boinas vermelhas, gritando palavras de ordem e se confraternizando numa grande festa popular mais parecida com o Carnaval brasileiro do que com um protesto. O protesto organizado pela oposição tinha clima bem diferente. Os dois grupos não chegaram a se encontrar, mas a polícia reprimiu os manifestantes da oposição, que fecharam ruas e queimaram pneus e sacos de lixo nas ruas dos bairros mais sofisticados da capital. Com poucas exceções, os participantes das duas manifestações repetem o padrão que, à primeira vista, parece um clichê preconceituoso. Do lado de Chávez, pessoas mais pobres, dispostas a viajar mais de 700 quilômetros – como fizeram 3,5 mil pessoas que vieram de Barinas, estado natal de Chávez – para mostrar seu apoio ao presidente.
“É uma manifestação clara de que somos contra a interferência estrangeira representada pelo senhor Bush”, disse o camponês Juan Peraza, um dos conterrâneos do presidente. O próprio Chávez subiu ao palanque no meio da tarde, cantou com a população e fez seu habitual discurso antiamericano e exaltando o herói da independência Simon Bolívar. Do outro, venezuelanos de classe média alta, bem vestidos, que afirmam que tudo piorou no país nos cinco anos e meio de governo Hugo Chávez. 'Alianças erradas' Os protestos da oposição, organizados pela Coordenadora Democrática, frente que reúne 18 partidos e 39 organização de oposição, começaram na sexta-feira, durante a reunião de cúpula do G-15. Eles foram retomados no sábado à tarde e neste domingo, a partir do enterro de Alberto Aumaitre, uma das duas pessoas que morreram nos protestos de sexta-feira. A secretária executiva aposentada Silvia Valter, que participou do protesto de sábado à noite que fechou o trânsito numa avenida na região oeste da cidade, disse que “a vida na Venezuela mudou totalmente". "O que esperávamos é que essa gente pobre melhorasse de vida, para que todos pudéssemos viver melhor, e chegasse mais perto da classe média. Isto não é normal em nenhum país. Que num sábado, em vez de as pessoas estarem passeando, estão protestando”. Isso acontece, segundo ela, porque Chávez não soube se aliar às pessoas que têm dinheiro. Em Altamira, outro bairro sofisticado da capital, manifestantes jogaram pedras nos policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo. |
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