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Lula abandona 'em silêncio' cúpula do G-15 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A 12ª reunião de cúpula do G-15 em Caracas na Venezuela, termina neste sábado com os 19 países que integram o grupo divulgando uma declaração que pede maior cooperação entre os países em desenvolvimento. A reunião contou com a presença de sete chefes de Estado, sendo que dois deles - o presidente Lula e o seu colega colombiano, Álvaro Uribe - deixaram a Venezuela depois da reunião de abertura. Na visita de menos de 24 horas, Lula se manteve no mais absoluto silêncio – pelo menos em público. O silêncio do líder brasileiro e sua decisão de voltar para o Brasil 18 horas antes do previsto foram destaques na mídia venezuelana. "Vitória" da oposição "Presidente Lula, por que tão calado?", perguntou uma jornalista venezuelana na saída do presidente do hotel. Lula nem olhou. O presidente só se manifestou durante as reuniões privadas que teve com outros presidentes. Foram três encontros: um pela manhã com os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Néstor Kirchner, da Argentina. Depois de participar calado da cerimônia de abertura do G-15, Lula se reuniu novamente com Kirchner e depois participou de uma reunião com o presidente do Irã, Mohammad Khatami, antes de embarcar para Brasília. A emissora de TV Globovisión, de oposição a Chávez, registrou que Lula "deixou a Venezuela 20 horas antes do previsto", como uma vitória contra o presidente. TV Questionado sobre porque Kirchner discursou em nome da América Latina em vez do Brasil na abertura do encontro, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Brasil havia sido sondado para fazer o discurso, mas "não tinha interesse em falar em nome de toda a região". "Isso exigiria muitas consultas e avaliamos que não haveria tempo para isso", afirmou. Além de Kirchner, discursaram o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o presidente do Irã, Mohammad Khatami. Chávez, como anfitrião, fez uma pesada crítica ao neoliberalismo e propôs a criação de um canal de televisão dos países em desenvolvimento. O presidente vive um momento decisivo na Venezuela, às vésperas da divulgação do resultado de um abaixo-assinado que pede um referendo em que o presidente Chávez poderia ser afastado do poder. Manifestantes de oposição realizaram um protesto nesta sexta-feira em Caracas em que pelo menos duas pessoas foram mortas. Amigos O ministro Celso Amorim disse que a posição do Brasil sobre a crise na Venezuela está expressada no comunicado divulgado pelo Grupo de Amigos do país no dia anterior, em Brasília. No comunicado, o grupo - formado por Brasil, Estados Unidos, Chile, México, Espanha e Portugal - pede transparência na verificação da autenticidade das assinaturas pedindo o referendo para decidir sobre a saída antecipada de Chávez. "Nós temos uma postura que é de não intervenção mas que é também de não indiferença. E é por isso que nós criamos o Grupo de Amigos", afirmou o ministro. "O que nós queremos é uma solução construtiva", completou, defendendo a presença internacional no país para acompanhar o processo, como vem sendo feito pela OEA (Organização dos Estados Americanos) e pelo Centro Carter. |
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