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Análise: Relatório Hutton dá novo fôlego a Tony Blair
A impressão geral sempre foi de que o relatório do juiz Brian Hutton iria transformar o cenário político na Grã-Bretanha do dia para a noite. E foi isso o que aconteceu. Mas ninguém imaginava que a mudança seria tão claramente a favor do governo britânico e do primeiro-ministro Tony Blair. Embora limitado, o relatório calculado e detalhista de Hutton foi o melhor possível do ponto de vista de Blair. O documento também eliminou qualquer dúvida a respeito do futuro do ministro da Defesa britânico, Geoff Hoon. As conclusões do inquérito Hutton também removeram a nuvem que rondava Alastair Campbell, ex-chefe de comunicações de Blair, e John Scarlett, chefe do Joint Intelligence Committee (órgão do governo que lida com informações dos serviços de inteligência). O relatório, no entanto, não poderia ser pior para o líder do Partido Conservador, Michael Howard, e para os críticos do primeiro-ministro, incluindo alguns de seus colegas no Partido Trabalhista. Elo de confiança A partir de agora, Blair deve tentar aproveitar a boa fase para iniciar um processo de reconstrução do elo de confiança com os eleitores que sofreu um considerável abalo nos últimos anos. O primeiro-ministro também vai procurar reafirmar sua autoridade no Partido Trabalhista e combater aqueles que constantemente sugeriram que ele sobrevivia no cargo graças a manipulações e mentiras. Blair certamente precisava de um evento capaz de mudar o rumo de sua liderança, que foi colocada em dúvida durante o ano passado. Embora apertada, a vitória na noite de terça-feira – em uma votação parlamentar sobre uma proposta do governo para o aumento de anuidades no ensino universitário – ajudou Blair, mesmo com as insinuações de que o resultado foi possível graças a uma manobra do ministro da Fazenda, Gordon Brown. O ministro é apontado pelos críticos de Blair como o verdadeiro homem-forte do governo britânico. O relatório Hutton, no entanto, acabou se tornando um acontecimento decisivo para o primeiro-ministro. Blair não só conseguiu se livrar das acusações de que mentiu e manipulou a opinião pública britânica, como também ganhou um novo fôlego para sua liderança. Novo inquérito O primeiro-ministro britânico agora pode contar com uma boa margem de segurança contra os insistentes rumores de que seu futuro seguiria uma trajetória de queda. O relatório também foi um duro golpe aos ataques de Michael Howard contra a integridade e a honestidade de Blair. Mas, apesar de tudo isso, as questões sobre como e por que o primeiro-ministro levou a Grã-Bretanha à guerra contra o Iraque permanecem sem resposta. O líder liberal-democrata Charles Kennedy insistiu nesse assunto durante o debate parlamentar realizado após a apresentação do relatório Hutton. Kennedy disse que a Grã-Bretanha agora voltou ao ponto em que estava antes do caso Kelly e da disputa entre o governo e a BBC. O líder liberal-democrata afirmou que ainda é necessária a realização de um inquérito independente sobre a guerra e as supostas armas de destruição em massa do Iraque. Diante das conclusões do lorde Hutton, no entanto, é muito difícil que qualquer apelo nesse sentido tenha sucesso. Por outro lado, Tony Blair vai trabalhar para garantir que o relatório Hutton marque o início de um novo começo para a sua liderança. |
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