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Atualizado às: 21 de janeiro, 2004 - 17h25 GMT (15h25 Brasília)
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Bush lança campanha polêmica pelo casamento heterossexual

Bush quer financiar casamentos heterossexuais

Promover a instituição do casamento heterossexual como um dos pilares da sociedade americana é uma das prioridades do governo George W. Bush no front interno.

Em seu discurso do Estado da União, feito na noite de terça-feira diante do Congresso americano, Bush disse: "Nossa nação deve defender a santidade do casamento".

Em plena campanha eleitoral para reeleição, ao promover o matrimônio, Bush visa cortejar a base mais conservadora de seu eleitorado, especialmente grupos cristãos.

A Casa Branca planeja investir US$ 1,5 bilhão ao longo dos próximos cincos anos em programas de treinamento e aconselhamento da camada mais pobre da população, estimulando a promoção e a manutenção do casamento.

Casamento e saúde

"Acho que esse é um programa brilhante e que será uma iniciativa bastante eficiente", disse à BBC Brasil o reverendo Louis Sheldon, diretor da Traditional Values Coalition (Coalizão para Valores Tradicionais), uma ONG cristã sediada em Washington.

"Ele (o programa) vai mostrar ao povo americano que, se você não tem casamentos fortes, você tampouco tem uma América forte. Você não tem um sistema educacional forte. Você não tem uma economia forte. Você não tem um programa cultural forte que avance na música, ciência e saúde."

Sheldon baseia-se em dados estatísticos governamentais que apontam para o fato de 43% dos casamentos celebrados desde a década de 1980 nos Estados Unidos serem dissolvidos nos seus primeiros 15 anos, uma tendência crescente em comparação com décadas anteriores.

Outros estudos conduzidos pelo Center for Disease Control (Centro para a Prevenção de Doenças), uma agência do governo americano, também indicam a existência de "uma relação positiva entre casamento e saúde, independentemente da idade do casal".

União gay

Mas, se o plano de Bush agrada os mais conservadores, setores mais liberais, como os grupos militantes pelos direitos dos gays, opõem-se a ele.

"Acredito que esse tipo de dinheiro seria melhor aplicado se fosse colocado a serviço de famílias que necessitam de ajuda, assegurando que as crianças recebam educação e assistência médica", disse o advogado Evan Wolson, diretor-executivo da ONG Freedom to Marry (Liberdade para Casar) que defende o direito ao matrimônio para casais do mesmo sexo.

"O governo não deveria estar no negócio do aconselhamento matrimonial, mas deveria se certificar de que todos têm como manter seus compromissos e apoiar a quem amam sem sofrerem discriminação."

Em seu discurso ao Congresso, Bush disse estar considerando a possibilidade de enviar ao Congresso uma emenda constitucional ao "Ato em Defesa do Matrimônio", uma lei federal que define o casamento como uma união entre homem e mulher.

A emenda vetaria qualquer possibilidade da aprovação do casamento gay.

Tal medida viria a anular uma decisão da Suprema Corte do Estado de Massachusetts, que no último mês de novembro aboliu um veto estadual ao casamento gay.

"Juízes ativistas começaram a redefinir o casamento através de uma ordem judicial, sem consideração pela vontade do povo e seus representantes eleitos", discursou Bush.

Controvérsia

A decisão do tribunal de Massachusetts polarizou o debate em relação ao casamento gay em nível federal.

"Não existe tal coisa chamada casamento gay. É muito triste quando uma pessoa tem conflitos de identidade relativos ao gênero sexual", disse Sheldon, da ONG cristã.

"Trata-se da mais trágica desordem social e nós precisamos estudar as causas da homossexualidade para que possamos ajudar as pessoas e desencorajá-las a adotar isso como um estilo de vida permanente."

Por outro lado, grupos militantes gays, como o Freedom to Marry, tentam sensibilizar a população americana para sua causa.

De acordo com uma pesquisa de opinião feita pelo jornal The New York Times em dezembro, 61% dos americanos opõem-se ao casamento gay e 34% são favoráveis a esse tipo de união.

"Há uma verdadeira inconsistência quando, por um lado, esse governo diz que o casamento é muito importante e que eles querem promover o casamento, mas, ao mesmo tempo, eles gastam dólares de impostos para impedir que casais gays assumam as responsabilidades do casamento", disse Wolfson.

"Nós somos a favor do casamento. Se casamentos saudáveis são bons para as pessoas heterossexuais, porque eles não seriam bons também para os gays?", questiona o representante da ONG pró-gays.

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