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Atualizado às: 19 de julho, 2003 - 01h15 GMT (22h15 Brasília)
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1º casal gay se casa oficialmente na América Latina
Os dois são militantes do movimento gay
César e Marcelo: o casamento foi resultado de uma longa luta

Dois argentinos se converteram nesta sexta-feira no primeiro casal homossexual a se casar oficialmente na América Latina.

César Cigliutti, de 45 anos, e Marcelo Suntheim, de 35 anos, formalizaram a união assim que a Câmara Munipal de Buenos Aires regulamentou a Lei de Uniões Civis, que permite a legalização da união de casais independentemente do sexo.

A lei permite o registro desde que os parceiros comprovem pelo menos dois anos de convivência e sejam solteiros.

Cigliutti e Suntheim presidem a ONG Comunidade Homossexual Argentina (CHA) e lutaram pela aprovação da lei.

Trabalho

"O que estamos vivendo hoje é o resultado do trabalho de muitíssimos anos, nosso e de um pequeno grupo de companheiros que compartilham o ativismo conosco", disse Suntheim à BBC.

 Quando tudo está bem, não há problema e não importam os papéis. O difícil é quando um fica doente e o outro não pode entrar na unidade de terapia intensiva. Ou quanto um morre e o outro não pode retirar o cadáver porque não permitem, ou quando a família de um deles joga o outro na rua depois da morte.

César Cigliutti

"Há muitos motivos para formalizarmos a união, mas quando se vive em um país como a Argentina, em uma cultura como a latino-americana, e se cria uma legislação a favor dos gays, lésbicas e travestis, o tratatamento que recebemos da sociedade melhora."

O casal também acredita que a medida irá diminuir o nível de homofobia nos meios de comunicação argentinos.

Segundo os dois, o casamento também resolve alguns problemas práticos.

"Quando tudo está bem, não há problema e não importam os papéis", afirmou Cigliutti.

"O difícil é quando um fica doente e o outro não pode entrar na unidade de terapia intensiva. Ou quanto um morre e o outro não pode retirar o cadáver porque não permitem, ou quando a família de um deles joga o outro na rua depois da morte."

Eles dizem ter muitos amigos que passaram por situações como essas e que não desejam ser vítimas dos mesmos problemas.

O casal anunciou que quer ter filhos, seja por adoção ou com ajuda de alguma amiga.

"Pensamos em ampliar nossa família no futuro, mas queremos que essa família seja tão respeitada como nós somos", afirmou Suntheim à BBC.

"E como ato de amor a nossa futura família, vamos apelar ao Congresso Nacional, ainda neste ano, que aprove um projeto de lei de União Civil nacional, que nos reconheça o direito à herança, adoção e pensão e todos os outros direitos que casais têm em nossa cultura para serem felizes."

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