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Atualizado às: 20 de janeiro, 2004 - 09h03 GMT (05h03 Brasília)
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John Edwards, o outro Clinton?
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Há quatro semanas, os assessores do senador John Edwards, da Carolina do Norte, admitiam que ele não tinha a menor chance de ganhar em Iowa e estavam preparados para um humilde quarto lugar.

Em uma semana, as pesquisas colocavam o senador embolado entre os quatro primeiros (Edwards terminou em segundo lugar, atrás do também senador John Kerry). Desde criança, ele aprendeu a largar atrás e abrir caminho.

John Edwards, nascido na minúscula Seneca, na Carolina do Sul, é filho de um casal de adolescentes. Pai e mãe trabalhavam em fábrica de tecidos.

O pai se aposentou como sub-gerente numa tecelagem, a mãe como carteira. John foi o primeiro e único membro da família a ir para a universidade. Estudou direito e se tornou milionário defendendo vítimas de acidentes e erros médicos, na maioria crianças.

Conquistas

Sua primeira vitória no tribunal foi defendendo um alcoólatra que recebeu uma dose excessiva de remédio no hospital. A indenização foi de US$ 3,7 milhões.

No ano seguinte, o júri deu uma indenização de US$ 6,5 milhões para sua cliente, uma criança vítima de erro médico no parto.

Até 98 ele nem votava nas eleições. Foi a trágica morte do filho mais velho, com 16 anos, num acidente de carro, que o levou primeiro à total reclusão da qual saiu, recristianizado, para disputar uma cadeira no senado pela Carolina do Norte.

Largou em último nas pesquisas e venceu sua primeira e única eleição até hoje.

Em Washington ele se tornou uma estrela na constelação democrata, mas sempre se refere às origens.

Edwards tem 50 anos e aparenta 40. Paga caro por um corte de cabelo, mas usa sapatos velhos e um relógio digital barato. Tem três filhos, quatro casas e empregados domésticos, mas comemora os aniversários de casamento na Wendys, uma concorrente do McDonalds.

Ele investe o próprio dinheiro em suas campanhas políticas, mas chegou em Iowa muito menos organizado do que os candidatos Dean, Gephardt e Kerry.

Conquistou o eleitorado com seu estilo Clinton, o jeito espontâneo e muitas vezes franco. Com pesado sotaque sulista e quase sempre sorrindo, Edwards fala bem de improviso e jamais criticou seus oponentes, mas não poupa o presidente Bush.

Os resultados das duas próximas primárias vão definir o futuro político dele. Só um milagre clintoniano pode levá-lo à vitória na convenção, mas a pista está muito mais aberta para as próximas primárias, para a vice-presidência este ano e para a Casa Branca em 2008.

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