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Lucas Mendes: A voz do silêncio
Lola e Ben Rapper, no altar diante do padre, ouviram a pergunta decisiva. Antes que ela pudesse responder, um alarme de carro disparou ao lado da igreja e não parou durante 30 minutos. O sim dela, dele, o resto da cerimônia e o alarme estão unidos para sempre no vídeo do casamento. Contra os alarmes, além de noivos no altar, há queixas de pacientes em hospitais, de meditadores e de 91% dos cidadãos de Nova York que participaram de uma pesquisa sobre alarmes de carros. Reclamações A conclusão é que eles reduzem a qualidade de vida da cidade e só interrompem assaltos quando os donos dos carros aparecem ou alguém chama a polícia, mas 76% das pessoas telefonam para reclamar do barulho e não para avisar sobre possível roubo em progresso. Aaron Friedman, compositor clássico e saxofonista, foi acordado e interrompido tantas vezes pelos alarmes que decidiu se vingar e botou a boca no trombone. Ano passado, organizou um movimento na internet para banir alarmes de carros em Nova York. Milhares aderiram. Pouco depois, Aaron Friedman foi contratado como consultor pela ONG Transportation Alternatives e redigiu o documento com o título "Alarmantemente Inútil". O texto serviu de base para uma lei que será votada depois de uma série de audiências públicas em fevereiro. Testemunhas Dezenas de pessoas estão na lista de testemunhas contra os alarmes, mas até agora não há ninguém para defendê-los. Nem os fabricantes. Eles mesmos reconhecem que hoje há aparelhos silenciosos contra roubo de carro muito mais eficientes do que os alarmes e até as seguradoras já pararam de dar descontos para clientes que instalam equipamentos sonoros. A passagem da lei proibindo instalação de novos alarmes é certa, mas o silêncio não virá da noite para o dia. O governo não pode obrigar a retirada dos aparelhos já instalados a menos que a cidade pague a conta. Aaron Friedman, um homem tímido, nunca tinha se envolvido numa causa pública. Ele é o novo herói urbano dos amantes do silêncio, mas como músico e compositor ninguém ainda lhe dá ouvidos. |
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