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Atualizado às: 10 de janeiro, 2004 - 02h22 GMT (00h22 Brasília)
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EUA acusam polícia do Haiti de reprimir oposição
Haitianas
Vendedores de rua em Porto Príncipe não aderiram ao segundo dia de greve geral

O governo dos Estados Unidos condenou nesta sexta-feira o governo do Haiti por, supostamente, permitir que a polícia reprimisse com violência manifestantes de oposição.

Na quarta-feira, pelo menos duas pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em choques entre manifestantes que pediam a renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide e simpatizantes do líder.

Uma nota divulgada pelo Departamento de Estado americano diz que alguns membros das forças policiais usaram a força contra oposicionistas.

"Embora seja claro que algums membros da polícia agiram com diligência para proteger os manifestantes, também é claro que alguns oficiais da polícia colaboraram com gangues contratadas (pelo governo), fortemente armadas, em ataques contra os manifestantes", disse Boucher.

Reformas

"Durante o dia, essas mesmas gangues apoiadas pelo governo avançaram pelas ruas da capital roubando carros, atacando estações de rádio, vandalizando estabelecimentos comerciais e assediando pessoas."

Na nota, o Departamento de Estado também diz que "o governo do Haiti deve abandonar imediatamente seus esforços para suprimir divergências pacíficas, precisa punir aqueles que cometem atos violentos de repressão e realizar as reformas fundamentais necessárias para restaurar o estado de direito no Haiti".

O movimento de oposição que pede a renúncia do presidente Aristide aparenta estar ganhando força nas últimas semanas.

A oposição exige que Jean-Bertrand Aristide deixe o poder imediatamente. Ela não aceita o resultado da eleição presidencial de 2000, em que Aristide foi reeleito, alegando que o pleito foi fraudulento.

O presidente, que também é acusado de corrupção e de incompetência, insiste que irá permanecer no poder até o final de seu mandato, em 2006.

Greve

Nesta sexta-feira, muitos bancos e estabelecimentos comerciais fecharam as portas na capital haitiana, Porto Príncipe, no segundo e último dia de uma greve geral convocada por grupos de oposição.

De acordo com a agência de notícias Associated Press, poucas pessoas apareceram nos mercados a céu aberto da capital, embora os vendedores estivessem trabalhando normalmente.

"Minha única fé é em Deus. Eu não sei o que está acontecendo, mas eu sei que eu sou pobre, meus filhos estão com fome e eu não posso ganhar a vida se não há paz", disse à Associated Press Margarethe Pierre, que vende rádios e relógios na rua.

Um dos organizadores da greve, o médico Jean Henold Buteau, disse à agência Reuters que todos os 20 médicos em sua clínica estavam com os braços cruzados.

"A greve não é 100% (bem-sucedida) porque pequenos comerciantes não podem fazer greve", disse. Ele salientou, porém, que considerou a paralisação um sucesso.

A tensão política deve continuar alta na semana que vem, quando chegam ao fim os mandatos da maior parte dos parlamentares haitianos.

Para o domingo está marcada uma nova manifestação contra o presidente.

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