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Ivan Lessa: Natalão
Ivan Lessa

O milagre do Natal. O milagre do Natal é o Verbo, ou seja – estudantes de jornalismo, atenção! –, a Comunicação.

Quando São João diz que no princípio era o Verbo, e o Verbo se fez palavra, ele não está querendo dar a entender que Deus adotou uma originalíssima fantasia para o grito de Carnaval, mas sim que o Verbo era Deus e Deus estava no Verbo.

O Verbo é tudo que necessitamos. Sem o Verbo, nada sabemos. Com o Verbo, tudo se revela. No princípio – recapitulando – havia uma criança. Sem palavras, sem verbos.

Esses pensamentos de editorial de semanário cristão que um cavalheiro triste distribui de graça no metrô ocorrem-me quando me vejo, segunda-feira, dia 22 de dezembro, numa cidade praticamente esvaziada de seus habitantes.

No dia 19, a debandada já começara. Trabalhar para valer, agora só no ano novo, segunda, dia 5 de janeiro.

Xmas

Seria o que nós chamamos de “feriadão”.

Como o Natal é uma época em que, cada um, por motivos pessoais, indizíveis e intransferíveis, reexamina sua vida passada, presente e futura (se esta última existir), como o Scrooge do célebre conto de Charles Dickens, procuro afastar os pensamentos que se ameaçam mais “profundos” e, deixando para lá o verbo, com maiúscula ou não, vou de algo mais primitivo: vou de aumentativos e onomatopéias, como o camarada na festa do escritório que prefere a laranjada morna ao vinho vagabundo.

Os ingleses, tão orgulhosos de sua língua, não tem cintura para o aumentativo, digo gozando como antes os gozava afirmando que em futebol a tínhamos e eles não.

Estão passando por um Big ou Long Holiday ou Christmas (Xmas, como gostam de abreviar desde o século 16). O que não dá para sequer enfrentar um primeiro tempo com nossos “ões”, de “Natalões” ou “Feriadões”.

Em compensação, para agradecer ao quarto de século que aqui moro, também não tem “arrastões” na praia.

Vão, muito serelepes (é, estou fraco em matéria de gírias), de assalto ao trem pagador ou ao indiano da esquina. Falta-lhes graça e espontaneidade no roubo coletivo das classes privilegiadas. Falta-lhes mesmo praia, para ser brutalmente franco.

Quanto às onomatopéias desta época do ano, “bling blong” não chega aos pés de “blim blom”. Eles podem ter os sinos, mas nós temos a onomatopéia.

E a cuíca, o afoxé, o agogô e a frigideira jamais ecoarão na página escrita como ecoam nas nossas. Aliás, um péssimo exemplo. Esses quatro instrumentos, que eu saiba, não têm onomatopéia decente em português brasileiro.

Enfim, o que vale é a intenção: blim blom, feliz Natal.

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