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O Roxy: ontem e hoje
Estava lá na primeira página do Globo, com foto a cores, vasta nota informando sobre a reabertura do cinema Roxy, na Av. Copacabana, esquina com a Bolivar. O Roxy reiniciando vida nova, depois de meses de obras, a um custo de R$ 3 milhões, sob a forma de multiplex, que é como chamam a promiscuidade de várias salas de exibição sob um mesmo teto. Desconfio desses complexos. Não tendo um bom filme para oferecer, disfarçam mostrando vários, como se fosse um dilema atroz para exibidor e espectador. Na verdade, é a opção zero para o espectador idem. Cinema de verdade leva um filme só e, se for abacaxi, azar o seu, companheiro. (Ó saudade de coloridos abacaxis! Mas isso é outro papo.) O novo Roxy ganhou mármore perolado, candelabro no foyer, luz neón, rampa elétrica, café com mesas e cadeiras do “Rio Antigo” (o que é isso?), bombonière, tudo em estilo art-nouveau. A nota informa ainda que há, entre as 919 poltronas azuis, "love seats". Ou seja, cadeiras com braços móveis. Não estou aí para ver, desejo boas entradas a todos os frequentadores. Meu problema era a foto. Da escadaria que leva ao segundo andar. Ela me convidava a subir seus degraus. Aí a coisa engrossa. Como nos minutos iniciais de filme do atual governador da Califórnia. Acontece que o Roxy, inaugurado em 1938, foi o cinema que mais frequentei em minha vida. Dos anos 40 até os 60, acho que não houve semana em que eu lá não estivesse dando minha entrada para o bilheteiro, sob o olhar vigilante do gerente (acabou assassinado num assalto; pois é, já havia disso) e indo me instalar por volta da décima fila à direita, do lado, junto ao corredor. Vendo a foto, comecei a me lembrar de tudo que eu já havia me esquecido sobre o Roxy: suas cortinas, sala de espera com fotos e pôsteres das próximas atrações, o uniforme dos lanterninhas, o baleiro. Fui mais longe. Comecei a tentar a me lembrar de filmes que eu pudesse jurar que tinha visto no Roxy e não nos outros cinemas do bairro: Rian, Copacabana, Ritz, coisa e tal. Parei quando cheguei a um filme do Dane Clark. Cheguei a me lembrar das matinês infantis de 10h da manhã de domingo: shorts, desenhos e um filme em série com Rod Cameron, O Dragão Negro. Foi aí que parei com a brincadeira. A coisa estava ficando séria. Dane Clark e Rod Cameron são barra pesada. Para cinéfilo ou mero saudosista. Memória eu topo ter, mas vamos devagar. Peço, portanto: vão de retrô à vontade, compatriotas, mas poupai os expatriados, por favor. Retrô só sem fotos, que elas confundem tudo. |
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