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Viva o vinil!
Peguei a passagem da goma-laca para o vinil. Ou seja, eu estava vivo e comprando discos, quando o velho 78rpm se viu substituído pelo 45rpm e o 33rpm (ou 33 1/3rpm, para ser preciso). Jovem e novidadeiro, corri para a nova tecnologia. Sim, era verdade tudo o que diziam as pessoas felizardas que iam e vinham dos Estados Unidos e tinham o equipamento de som necessário para fazer rodar os novos discos. Em 1950, comprei com dinheiro fruto de meu labor (trabalhei num filme, mas esta é outra história) a minha primeira vitrola. É, eu chamava e continuo a chamar de vitrola. Tocava 45 e LP, ou long-playing, como chamávamos. O camarada que me vendeu o aparelho, de lambuja, me deu um LP. De Carmen Cavallaro, conhecido como "O Poeta do Teclado", título que disputava com nosso Muraro, ele também vate do instrumento. Desde então, até o início dos anos 80, fui fazendo minha coleção de discos. Música brasileira, jazz, cantores americanos. Confesso que eu não era o melhor colecionador do mundo. Tratava direitinho dos discos, mas foi muita festa em casa, muita gente tacando o dedão gorduroso no sensível vinil, um ou outro usando até mesmo para botar o copo de gim tônica em cima. Mas os danados resistiram. Veio tudo comigo para Londres e ainda estão lá em casa. Levei um certo tempo até me deixar convencer pelas vantagens do disco compacto, o CD. O tempo, no entanto, exigia que eu batesse ponto no 9 às 5 da tecnologia. Comprei um sistema de som (que eu chamaria de "classe média") e que tocasse LP e áudio-cassete, já que os 78 haviam se passado todos para essa tecnologia intermediária. Foi ótimo durante algum tempo o CD. Comprei e compro tudo que posso dos gigantes de nossa música e da música popular americana, mortos todos. Mas de vez em quando, comecei a ouvir (e comparar com) um vinilzinho. Que diferença! Um som gordo, amigo, sorrindo para a gente. Banhei e banho como sempre os LPs. Cuido deles como de um bicho de estimação. Tudo isso para dizer que o vinil, tanto aqui no Reino Unido quanto nos Estados Unidos, está fazendo, feito tantas vezes fez Frank Sinatra, a sua volta sensacional. Pela primeira vez, até o que chamam de "singles" estão sendo prensados em vinil. Infelizmente, não é meu tipo de música. Regozijo-me, no entanto, e parabenizo as novas gerações que vêm a provar que ainda há gente de ouvido aguçado no meio dessa balbúrdia toda. |
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