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Atualizado às: 23 de dezembro, 2003 - 05h45 GMT (03h45 Brasília)
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Análise: vexame para todos em Jerusalém

O chanceler egípcio, Ahmed Maher
Ataque contra o chanceler egípcio deixou inúmeras perguntas sem respostas

Essa não foi a forma como a visita a Israel do ministro do Exterior do Egito, Ahmed Maher, deveria ter terminado.

As imagens de TV do ministro sendo carregado, com o rosto pálido, em um resgate de uma multidão enfurecida foram altamente embaraçosas.

O incidente tem o potencial de causar vexame para todos, do Egito ao governo israelense - que trabalhou duro para convencer o Cairo a enviar, pela primeira vez em mais de dois anos, uma autoridade de alto escalão ao país.

É também igualmente embaraçoso para as autoridades palestinas, mas de uma forma diferente.

O grupo incontrolável de manifestantes era formado por palestinos raivosos, aparentemente inflamados pela aproximação pública de Maher com Israel.

Local-chave

Seus insultos incluíram uma alegação, feita aos gritos, de que Maher estava cooperando com assassinos e não era bem-vindo a um dos locais mais sagrados do Islamismo.

Sua fúria e agressividade vai ajudar pouco a melhorar a imagem dos palestinos.

Líder palestinos já tentaram se distanciar do que aconteceu, condenando integralmente o ataque.

Agora, o post mortem político irá começar. Por que, por exemplo, as autoridades israelenses permitiram que Mahler visitasse um local considerado tão sensível, como é a Mesquita de Al-Aqsa, apenas horas depois de a TV ter divulgado imagens dele como amigo de Israel, após ele ter se encontrado com o presidente, o primeiro-ministro e o ministro do Exterior?

Caos

A área ao redor da mesquita - o Monte do Templo, ou Haram al-Sharif - é sagrada tanto para muçulmanos quanto para judeus, e notoriamente polêmica.

Foi uma visita de Ariel Sharon ao local, três anos atrás, que gerou violentos protestos que levaram à atual intifada, ou revolta palestina.

Dado o caráter delicado do local, se Maher insistiu em visitá-lo, por que ele não o fez com mais segurança?

A Mesquita de Al-Aqsa é considerada o terceiro lugar mais sagrado para os muçulmanos

A TV mostrou cenas de profundo caos dentro da mesquita, com os seguranças de Maher sendo incapazes de afastá-lo da multidão hostil, até que finalmente a polícia israelense chegou e o ajudou.

Também, por que Mahler quis fazer a visita? Até agora, não há explicação.

É possível que ele estivesse tentando fazer um gesto de conciliação com os palestinos, porque ele não estava planejando se encontrar com líderes palestinos na visita desta segunda-feira.

Se foi essa a intenção, o gesto claramente não foi recebido da forma que o Egito esperava.

Pequeno grupo

Agora parece que, apesar do susto inicial, Maher não se feriu gravemente.

Se ele tivesse saído em pior estado, as conseqüências políticas também teriam sido mais graves.

Uma vez que o vexame de tais dramáticas cenas perder sua força, o post mortem pode não ser tão duro.

Essa foi, afinal, uma reação irada de um pequeno grupo de palestinos.

Ela não deve ter um sério impacto nas tendências políticas saudadas durante o dia - a reconstrução das relações diplomáticas entre Israel e o Egito e o esforço de fazer o processo de paz entre israelenses e palestinos voltar a avançar.

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