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Atualizado às: 12 de dezembro, 2003 - 05h33 GMT (03h33 Brasília)
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Reformas melhoram perspectivas para 2004, dizem analistas

Senadores comemoram aprovação da Reforma da Previdência
Senado aprovou em último turno reforma da Previdência

Analistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que as perspectivas da economia brasileira para 2004 se tornaram bastante positivas depois da aprovação de duas reformas-chave pelo Senado, nesta quinta-feira à noite.

A reforma da Previdência foi aprovada em segundo turno e agora segue para a sanção do presidente, enquanto a reforma tributária ainda deve ser submetida a uma segunda votação.

"Esse é um grande fecho para o ano", disse à BBC Brasil o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília, David Fleischer. "Em dezembro, no ano passado, as expectativas não eram tão promissoras para este primeiro ano de Lula."

Segundo ele, "há esse novo entusiasmo, essa atenção que o mundo está dando ao Brasil. 2004 está pintando como um ano razoável - pelo menos, bem melhor do que 2003".

EUA

Fleischer acredita que não só a aprovação das reformas, mas o momento vivido pela economia dos Estados Unidos estáo ajudando a economia brasileira.

Votações no Senado
Reforma da Previdência, 2º turno
A favor: 51
Contra: 24
Reforma tributária, 1º turno
A favor: 64
Contra: 4
Agência Senado

"A retomada da economia americana no terceiro trimestre ajuda, e aumenta a esperança de que o Brasil possa ter melhor acesso ao mercado americano. Também houve a retirada das sobretaxas do aço", disse.

O operador de mercado da BCP securities, David Smith, concorda que a conjuntura é favorável ao Brasil.

"A principal coisa agora é que o mercado de comodities está ajudando o Brasil tremendamente. Além disso, um dos principais parceiros da China atualmente é o Brasil, que está exportando para os chineses produtos agrícolas", explicou.

Smith também se referiu à decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor's de elevar o rating do Brasil nesta quinta-feira. Agora, a agência lista como "positivo" o risco de dívida soberana do país.

"Isso, sozinho, já indica que, com as reformas, o mercado passou a ver de forma mais positiva o país. Investidores vinham esperando que essas reformas fossem aprovadas."

2004

Para 2004, Fleischer acredita que o próximo passo do governo deve ser aproveitar o momento e pressionar mais os bancos para que possam seus juros para empréstimos ao consumidor.

"Os lucros dos bancos privados no Brasil são astronomicamente altos, muito mais altos do que em outros países", afirmou o professor.

E completou: "Tem que haver algumas outras medidas para incentivar ou forçar bancos comerciais a diminuir esse spread. Isso é uma restrição muito forte à expansão da economia."

Para David Smith, da BCP Securities, o Brasil tem dois desafios em 2004, dos quais depende o bom estado de sua economia.

"A continuidade das exportações é chave, assim como trazer mais investimentos diretos externos. Esse tipo de reformas vai fazer com que os investidores se sintam confortáveis e, dessa forma, vamos continuar vendo dinheiro entrando no Brasil. Sem dúvida."

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