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Reação de mercados a aprovação de reforma da Previdência decepciona
Ao contrário do esperado, a reação dos mercados financeiros à aprovação em primeiro turno na Câmara da reforma da Previdência foi decepcionante. "Não estamos vendo o tipo de entusiasmo que se supunha", admitiu Arturo Porzecanski, economista-chefe para países emergentes do ABN AMRO. O índice Bovespa caiu mais de 1%, o dólar chegou a R$ 3,06 e houve queda no preço dos bônus do governo federal negociados no exterior. Alguns analistas creditam a reação dos mercados à antecipação da aprovação e aos ganhos desta terça-feira, mas outros acreditam que a queda da bolsa paulista e dos preços do C-Bonds são conseqüência do cenário externo e que a situação tende a piorar no curto prazo e dificultar a vida da equipe econômica do governo Lula. Maré e humor "A maré mudou", afirma o economista Wilber Colmerauer, diretor da consultoria Liability Solutions, em Londres. Para ele, o humor do mercado é muito diferente hoje do que era 20 dias atrás. Os principais bônus do Tesouro americano, com vencimento de dez anos, caíram 10% nas últimas três semanas, com o seu valor de face passando de 104% do valor de face para 93%. "Todo mundo fica concentrado no que acontece no Brasil e aqui fora a gente tem uma visão muito diferente", diz Colmerauer. "A queda absurda dos papéis americanos, que são os mais fortes do mercado, trouxe um nervosismo. As pessoas no Brasil têm que ver que o mercado também está de olho no cenário externo." Nuno Camara, economista sênior para América Latina do banco de investimento Dresdner Kleinwort Wasserstein (DRKW), diz que esteve visitando vários investidores recentemente e que "a maior preocupação deles era com a economia americana". Ele também identifica nesta preocupação uma migração de fundos de mercados emergentes. "Acho que há uma combinação de fatores externos", disse Camara. "Não mudou a percepção em relação ao Brasil. O governo aprovou a reforma em seis meses, fez muita coisa em pouco espaço de tempo, além de ter mantido estabilidade fiscal e monetária, mas existe muita insegurança no mercado." Perigo Os papéis americanos caíram na esteira da preocupação do mercado com o grande endividamento do governo dos Estados Unidos e da previsão de que o Tesouro americano vai ser obrigado a emitir moeda para se financiar. Na esteira desses temores, os papéis dos governos alemão e inglês também têm experimentado quedas. "A aprovação da reforma é uma questão que já deveria ter sido resolvida há muito tempo", argumenta Colmerauer, acrescentando que havia um otimismo exagerado no mercado em relação ao Brasil. Ele acredita que se os títulos americanos continuarem a despencar, o dólar no mercado brasileiro pode voltar a disparar, puxando o preço da gasolina, trazendo risco de inflação e dificultando ainda mais a queda dos juros internos. "Se o dólar continuar subindo, o Banco Central vai pensar três vezes antes de reduzir os juros", afirma Colmerauer, lembrando a máxima de que "o mercado capta quando pode, não quando quer". Para ele, a oportunidade foi perdida pela equipe econômica, que deve enfrentar maus momentos com o vencimento de empréstimos em dólares captados por seis meses. E também com vencimentos de US$ 6 bilhões em C-bonds, em abril. "A equipe econômica perdeu o bonde", disse Colmerauer, "mas não é fim do mundo". Otimismo cauteloso Nem todos os analistas de mercado apostam em cenários tão sombrios. O próprio Camara acha que quando os riscos da aprovação dos destaques da Reforma da Previdência forem descartados, haverá uma reação mais positiva nos mercados. Paulo Vieira da Cunha, economista-chefe do Banco HSBC para a América Latina, ressalta que o impacto da aprovação da reforma da Previdência "pode não ser grande no curto prazo, mas vai ser importante para a situação fiscal do Brasil a médio prazo". |
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