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Chávez busca apoio popular com programas sociais
Depois do fracassado golpe militar de abril do ano passado, o presidente da Venezuela tem tentado desmobilizar seus detratores impulsionando uma série de programas sociais. Foi no no principal deles, o chamado Megamercado de Caracas, que Hugo Chávez falou ontem sobre o processo de coleta de assinaturas para tentar convocar um referendo que poderá tirá-lo do poder. Ali, nos quase mil metros da avenida Bolívar, milhares de pessoas começaram a fazer fila desde as 6h. Tudo para comprar frango (brasileiro) por 1.700 bolívares o kg. Vale 3.000 nos supermercados. Para os legumes, a economia chega a ser de 60%. “Pode não estar bom mas pelo menos com ele eu compro comida mais barata”, comentou Tayara, 35 anos, desempregada. Seu marido, da mesma idade, e também sem trabalho, não compartilha a opinião. “Eu só venho aqui porque não tenho dinheiro para ir em outro lugar. Chávez ou não Chávez, tanto faz se eu posso dar o que comer aos meus filhos”. 'Bolsas revolucionárias' Mesmo tendo assinado o pedido de referendo, ele levara para casa as chamadas “bolsas revolucionarias”. Dentro, açúcar, feijão, farinha e arroz, envolvidos em slogans do presidente e imagens de militares distribuindo alimentos. “Somos muito orgulhosos do que fazemos aqui. Isso não é nenhum desmerecimento. Ao contrário, é uma ação cívica”, destacou o coronel Trias, responsável pelo serviço de alimentos. Assim como outros 250 militares, ele faz parte do chamado Programa Bolívar de assistência social. Vender alimentos, remédios, ser dentista, oftalmologista e até barbeiro. Sem falar nos mutirões para entrega de carteira de motorista e de identidade. A maioria dos serviços são prestados por militares. são eles também que organizam a logística da operação. Da compra a venda. “Só nesse domingo foram 42 toneladas de frango”, esclarece o militar. As filas percorrem em média cem metros. Os militares entregam a mercadoria em troca de dinheiro vivo que vai para uma caixinha de metal. Sem recibo. Crise econômica O impulso aos programas sociais coincide com a queda da economia. Segundo dados do instituto Datanalisis, a renda dos venezuelanos caiu 14,5% desde o início do ano. As cifras do Banco Central indicam que a alta dos preços chegou a 42,3% . No caso dos importados (a Venezuela compra de fora 70% do que consome), a variação foi de 37,7%, alta impulsionada pela pressão do câmbio no mercado negro (entre 2.500 e 2.700 bolívares por dólar contra os 1.600 do câmbio oficial). O Instituto Nacional de Estatística reconhece que o desemprego está em 16,7%, numero que extraoficialmente estaria ultrapassando os 20%. Enquanto isso, os detratores do presidente o acusam de estar usando os lucros do Banco Central para financiar sua revolução, como o recente crédito adicional de 2 bilhões de bolívares que aprovou a Comissão de Finanças da Assembléia Nacional. Além dos programas de alfabetização, bolsas de estudo, e melhoria de casas populares, o governo do presidente Chávez concedeu, nos últimos dois meses, aumentos para os militares em torno de 30% e prometeu aos funcionários públicos pagar três salários extras nesse Natal. |
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