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Oposição a Chávez diz ter reunido apoio a referendo
A coleta de assinaturas para tentar convocar um referendo para encurtar o mandato do presidente Hugo Chávez chega ao fim nesta segunda-feira em meio a denúncias de fraude e júbilo da oposição, que garante ter reunido as 2,5 milhões de assinaturas necessárias. Em Caracas, vários centros de coleta já tinham esgotado suas planilhas eleitorais no domingo e os representantes da oposição orientaram os eleitores a se dirigirem para outros postos de coleta. Ao mesmo tempo os adversários de Hugo Chávez continuam preocupados com as declarações do presidente de que estaria havendo uma "mega fraude" e acreditam que o fechamento de três aeroportos civis na capital, no domingo, foi parte de uma manobra para dificultar a chegada das planilhas, formulários usados na votação, do interior. A Coordenadoria Democrática, que reúne os 43 partidos e associações da oposição, pediu à OEA – Organização dos Estados Americanos – e aos observadores do Centro Carter, que acompanhem a entrega e a apuração das assinaturas. O Conselho Nacional Eleitoral ainda não se pronunciou a respeito, apesar de estar trabalhando em conjunto com as duas instituições. O secretário-geral da OEA, Cesar Gaviria, voltou a dizer nesta manhã que, com o que aconteceu na Venezuela nos últimos dias, "o país está enviando uma mensagem clara de que a democracia é a melhor forma de resolver os problemas". 'Mega fraude' Por outro lado, o governo insiste na teoria da "mega fraude". O vice-presidente, Jose Vicente Rangel, disse que o governo está reunindo provas de uma suposta manipulação das assinaturas, por meio de falsas planilhas. Ele também disse que continua existindo no país uma "tendência terrorista e golpista". Razões de seguranca foram alegadas para o fechamento dos aeroportos e restrição de trânsito na fronteira com a Colômbia. Mas, ele garantiu que tanto a fronteira, como os aeroportos, voltarão amanhã a sua normalidade. Segundo o jornalista, Rafael Poleo, identificado com a oposição, "de cada três venezuelanos, um é contra Chávez", dado refutado pelo governo, que garante que o presidente conta com o apoio de 50% dos 24 milhões de venezuelanos. O que ambos lados não questionam é o repúdio generalizado a qualquer saída de força ou golpe de estado para solucionar a crise política. "Tenho setenta e cinco anos e não quero morrer num país que não seja uma democracia", confessou à BBC Brasil Miara Rodriguez. Na fila da mesa de coletas da Av. Romulo Gallegos, ela reforça o coro dos venezuelanos que se orgulham de viver na mais permanente democracia do continente. Nem o presidente Hugo Chávez, em 1992, conseguiu através das armas, destituir o então presidente Carlos Andres Perez. São 46 anos de democracia na Venezuela. Contagem regressiva A partir de amanhã começa a contagem regressiva para definir o futuro do presidente Hugo Chávez. A oposição tem um prazo flexível de 15 dias para entregar as assinaturas à justica eleitoral. A partir de então, o Conselho Eleitoral tem mais 30 dias para se pronunciar sobre a legitimidade do processo. Ou seja, somente depois do dia 15 de janeiro, será possível saber se será convocado ou não um referendo contra o presidente, consulta que poderia ocorrer em meados de abril do próximo ano. Isso se o processo não retardar ainda mais em função das denúncias do governo. |
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