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Igreja ainda resiste a uso de camisinha para prevenir Aids
A Igreja Católica ainda resiste a campanhas que encorajam o uso de camisinhas para prevenir a Aids, embora organizações que trabalham em países em desenvolvimento acreditem que o uso de camisinhas reduziria muito a morte pela doença. Em 20 anos, desde o início da pandemia, a Aids já matou 20 milhões de pessoas. O papado de João Paulo 2º mantém a posição da igreja adotada na década de 60 com a encíclica Humanae Vitae que condenava o uso de contraceptivos. O Vaticano acredita que o uso de camisinhas é imoral e prega que a conduta sexual seja baseada em fidelidade e valores familiares, além de abstinência fora do casamento. No Brasil, onde há meio milhão de soropositivos, a questão colocou a Igreja em confronto direto com o governo, que tenta promover o sexo seguro através do uso de camisinhas. Tensões A atual política criou tensões dentro da própria Igreja na medida em que o alto clero em Roma tenta obrigar que uma diretriz seja seguida enquanto padres individualmente tentam, por vezes, adotar uma visão mais pragmática. O padre italiano Valeriano Paitoni, que trabalha com doentes de Aids em São Paulo, é um dos maiores críticos do Vaticano. "A Aids é uma epidemia mundial, um problema de saúde pública que precisa ser enfrentado com avanços científicos e métodos eficazes", diz Paitoni. Embora tenha sensibilizado alguns bispos brasileiros, Paitoni foi criticado pelo cardeal arcebispo de São Paulo, Cláudio Hummes, que é considerado "papável". Kevin Dowling, bispo de Rustenburg, na África do Sul, disse que a Igreja precisa reconhecer a realidade da Aids. "Eu acredito que isso exige que se repense nossa abordagem tradicional à moral teológica, ética e preservação e proteção da vida", disse Dowling. Católicos que apoiam o uso de camisinhas para salvar vidas alegam que ela é o menor dos males. Mas para o Vaticano a aceitação de camisinhas negaria a crença enraizada de que sexo serve apenas para procriação dentro do casamento. Eficácia Fontes da Igreja procuraram negar a eficácia da camisinha na prevenção da Aids. Em outubro, uma alta fonte do Vaticano disse a jornalistas da BBC que o látex usado na confecção de camisinhas contém "poros" que não impediriam a transmissão do vírus HIV. A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que essa afirmação não apenas não é verdadeira, como também é perigosa. A OMS destacou que o vírus não passa através de látex. O Vaticano não vê razão para revisar sua declaração. "Não se pode falar de sexo seguro", disse o cardeal Alfonso Lopez Trujillo, que chefia o Conselho Pontifício para a Família. A OMS admite que sexo com camisinha não é 100% seguro, por causa do risco de má utilização ou de ruptura. Apesar de não aprovar o uso de camisinhas, a Igreja Católica tem se envolvido bastante na assistência aos soropositivos e afetados pela Aids em várias partes do mundo. |
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