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Atualizado às: 17 de novembro, 2003 - 13h04 GMT (11h04 Brasília)
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O ciclo vicioso da Aids e da pobreza

Imagens da fome na Etiópia
A fome piorou na África depois que a Aids começou a matar os fazendeiros

Dezenas de milhares de pessoas morreram nos últimos dois anos vítimas da seca no sul da África – muito mais que a seca matou há dez anos.

Essas pessoas foram vítimas da escassez de comida. Elas foram também, direta ou indiretamente, vítimas do HIV e da Aids.

A seca matou tantas pessoas, principalmente na Zâmbia, em Moçambique, Malauí e Zimbábue, porque a natureza cruel da Aids mata ou deixa inválidos justamente os mais produtivos, quando a sociedade mais precisa dessa força de trabalho.

E as redes de proteção aos países pobres ainda não se manifestaram para ajudar os africanos.

Pena de morte

O órgão de desenvolvimento das Nações Unidas, o Unctad, prevê que 16 milhões de agricultores vão morrer na África nos próximos 20 anos.

Mulher toma remédios anti-Aids em São Paulo
O Brasil quebrou a patente dos remédios anti-Aids

Nas regiões mais afetadas das áreas rurais do sul da África, um terço das mulheres grávidas tem teste positivo para o HIV.

A Aids é um desafio à saúde pública difícil de ser contido até nos países mais ricos. Na África, representa a pena de morte.

E há sinais preocupantes de que o abuso sexual de crianças está aumentando enquanto a organização social entra em decadência.

Stephen Lewis, enviado especial da ONU à África para questões de HIV e Aids, definiu a situação como um assassinato em massa.

"Tenho impressão de que a educação está na beira de um precipício”, disse Lewis, depois de visitar Lesoto, Malauí, Zimbábue e Zâmbia no fim de 2002.

Falência da educação

"Professores morreram, outros professores estavam morrendo ou doentes e afastados da escola. As crianças, principalmente as meninas, deixaram de ir à escola para cuidar dos pais doentes, e garotos que perderam os pais não iam estudar porque não podiam pagar as taxas”, disse.

“Parecia, a todo instante, que o setor educacional entraria em colapso”.

"A Zâmbia perdeu 1.967 professores em 2001, mais de dois mil no ano seguinte. Menos de mil pessoas se formam professores a cada ano. Em algumas áreas de Malauí, mais de 30% dos professores têm HIV positivo. Como a educação pode se manter em pé?

Com problemas no ensino, o papel da educação na luta contra o HIV fica comprometido – e começa o círculo vicioso.

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A epidemia de Aids terá conseqüências também nas próximas gerações

Remédios de esperança

Um alívio para a situação é o acordo na Organização Mundial de Comércio para que países em desenvolvimento importem medicamentos genéricos mais baratos dos coquetéis anti-aids, fabricados no Brasil e na Índia.

Isso vai ser importante, mas ainda há muita burocracia a ser cumprida.

A liberação dos medicamentos, que tiveram a patente quebrada, sofreu resistência de Andrew Natsios, diretor da USAID, a agência americana de desenvolvimento. Ele argumenta que os serviços de saúde dos países pobres não são confiáveis para a distribuição dos remédios.

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