BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 25 de novembro, 2003 - 08h33 GMT (06h33 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Mercosul corre riscos mesmo com 'Alca light', diz Alfonsín

Raúl Alfonsín
O ex-presidente critica o governo de George W. Bush

O ex-presidente argentino Raúl Alfonsín disse que os quatro países do Mercosul devem dizer "não" à Alca se a agenda do bloco não for atendida nas negociações.

Numa entrevista exclusiva à BBC Brasil em sua casa, em Buenos Aires, ele afirmou que, mesmo com uma "Alca Light", os países da região correm "vários riscos", até porque muitos itens da pauta de negociações não estão totalmente esclarecidos.

Na sua opinião, o governo americano vai pressionar para que os países aceitem os "vários lobbies" de diferentes setores dos Estados Unidos interessados na Alca.

"Nós, do Mercosul, vamos ter que nos unir, com firmeza. Até agora, como está, a Alca é uma política de Estado dos Estados Unidos que tem como objetivo usar nossos países como clientes de suas exportações sem nos oferecer compensações importantes. Devemos ser muito cautelosos ou a Alca não vai nos servir para nada."

'Pressão'

Quando questionado sobre que tipo de "pressão" poderia ser exercida pelo governo americano, o ex-presidente respondeu: "Os Estados Unidos vão pressionar de todas as formas possíveis. Nas negociações com o FMI e com o Banco Mundial, na retaliação aos nossos produtos em matéria de comércio internacional e até na decisão de impor uma mesma legislação trabalhista. Devemos ter cuidado".

Raul Alfonsín foi presidente da Argentina entre 1983 e 1989 e um dos "criadores" do Mercosul junto com o então presidente José Sarney.

No seu entendimento, o bloco não corre risco de ficar isolado, caso desista da Alca. "Existem muitos países na face da Terra, começando pela Europa, que também tem esses problemas com os subsídios agrícolas, mas ainda existem a Ásia e a África", ressaltou.

O ex-presidente criticou a administração do presidente George W. Bush, dizendo que ela demonstra um "comportamento doentio" em matéria política, o que explica, segundo ele, o ataque ao Iraque e a agora imprevisível resposta do terrorismo no mundo.

Alfonsín acredita que é hora de o Mercosul se unir, mais do que nunca, e não se limitar a uma integração comercial, mas adotar também políticas macroeconômicas comuns.

Ele acredita que os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Néstor Kirchner, estão retomando a agenda original do Mercosul, que inclui a integração cultural e econômica.

Sobre a polêmica gerada na Argentina com as informações do projeto nuclear brasileiro, que inclui o enriquecimento de urânio e a construção de um submarino nuclear, ele comentou: "Não vejo por que tanto alarde em relação a essas decisões. Não há motivos para isso. Lembro que levei o presidente Sarney ao nosso projeto nuclear e que ele também me levou à base brasileira. Sei que o Brasil não vai utilizar o urânio com fins militares. Acho até que, na minha época de presidente, chegamos a pensar em fazer, juntos, um submarino nuclear porque a Argentina até já tinha esse projeto, naquela época".

NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade