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Atualizado às: 20 de novembro, 2003 - 16h07 GMT (14h07 Brasília)
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Brasil pode derrubar preço de remédios

Remédio contra a Aids
Acordo com laboratório Merck levou a redução de 25% no preço do Efavirenz

O Brasil pode estar abrindo caminho para a queda mundial do preço do coquetel contra a Aids, na avaliação da ONG Médicos Sem Fronteiras.

“O exemplo que o Brasil está dando é muito importante para outros países em desenvolvimento”, disse Nathan Ford, um dos diretores da Médico Sem Fronteiras na Grã-Bretanha.

Nesta semana, o país conseguiu descontos de 25% no preço da droga anti-retroviral Efavirenz, produzida pelo laboratório Merck Sharp & Dome.

“Toda vez que um país em desenvolvimento consegue fazer isso (diminuir o preço dos remédios), dá força política a outros países em desenvolvimento”, observou Ford.

Pressão

“Isso coloca pressão sobre a indústria farmacêutica. Agora, todos já viram o exemplo brasileiro e sabem que as companhias estão dispostas a reduzir o preços das drogas contra a Aids.”

O diretor-presidente da Merck no Brasil, Tadeu Alves, disse que a redução de preços “é válida exclusivamente no Brasil por um deferimento especial por aquilo que o Brasil fez (pelo combate à Aids)”.

Ele não fechou às portas, porém, à possibilidade de outros países serem beneficiados por acordos semelhantes.

“Nós temos uma política global para produtos antiretrovirais. Se houver algum outro país que preencha condições similares às do Brasil, estamos abertos a fazer uma avaliação desse país e ver se oferecemos ou não esse mesmo desconto.”

O Brasil oferece gratuitamente aos portadores do vírus HIV os medicamentos necessários para lidar com a doença.

Ameaça

Na semana passada, o governo já havia negociado uma redução de 76% no preço de outra droga, o Atazanavir.

O país se tornou uma referência internacional na disputa entre as nações mais pobres e a indústria farmacêutica para tornar os preços dos remédios mais acessíveis.

Ford, da Médicos Sem Fronteiras, explica que o Brasil tem negociado com a indústria a partir de uma posição fortalecida porque é detentor de uma “ameaça crível”.

Em outras palavras: o país tem leis que o autorizam quebrar patentes de remédios para defender a saúde pública e, além disso, possui uma indústria capaz de produzir medicamentos genéricos substitutos das drogas originais.

O mesmo já existe em países como Índia, Tailândia e China. E, afirmou Ford, começa a ganhar força na África do Sul e em outras partes do continente africano _o Brasil tem planos de exportar para a África a tecnologia de produção de genéricos.

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