|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
'Má gestão prejudica combate à Aids na América Latina'
Um estudo divulgado nesta terça-feira pelo Banco Mundial mostra que o uso indevido de verbas, a coordenação inadequada e estatísticas que não refletem a realidade prejudicaram as iniciativas de combate à Aids em alguns países da América Latina. A situação mais preocupante no continente é entre os países da América Central, onde a pesquisa detectou uma maior necessidade de se alocar com eficiência os recursos existentes. Para Anabela Abreu, a principal autora do relatório e atual gerente do Setor de Saúde do Banco Mundial, cada país precisa consolidar um tipo de abordagem à doença ligada às suas necessidades. "Os governos precisam ter boas informações e fazer com que as ONGs e a sociedade civil participem das decisões. Além disso, os países, de modo geral, precisam fortalecer seus compromissos com o combate à epidemia, destinando maiores recursos e usando de forma mais eficiente os já existentes." "As campanhas na América Latina também precisam de mais atenção por parte dos governos e de órgãos internacionais." Modelo A gerente do Banco Mundial explicou ainda que as necessidades na América Latina variam de país para país e que o Brasil vem apresentado um trabalho de sucesso. "Agora eu estou tentando fazer com que o modelo brasileiro seja base do trabalho que será realizado na Índia", disse Anabela Abreu. Um problema, segundo a pesquisa, é encontrar informação disponível de qualidade, já que muitas vezes os dados encontrados são insuficientes. De acordo com o relatório, um dos grandes empecilhos para o bom funcionamento dos programas de combate a Aids é a falta de decisão por parte dos governos sobre a forma de atuação, além da falta de recursos. Outro problema apontado é a falta de apoio por parte dos governos latino-americanos aos trabalhos realizados pelas ONGs. De acordo com a pesquisa, a maioria das ONGs se mantém com recursos obtidos por meio de entidades internacionais (43,7% dos recursos) e também de suas próprias verbas (42,2%). Menos de 10% dos recursos são adquiridos juntos aos governos dos países. Sociedade civil O relatório intitulado "HIV/Aids nos países da América Latina: desafios futuros", foi desenvolvido a partir de dados coletados em 17 países. Uma das principais conclusões do relatório é que a sociedade civil deve ser mobilizada para participar de modo mais incisivo, inclusive com o apoio das organizações não-governamentais, que também estão fortemente vinculadas aos grupos de alto risco. Um dos problemas detectados pela pesquisa é a baixa integração entre os trabalhos realizados pelas ONGs e pelo governo. A pesquisa mostrou que as organizações não-governamentais possuem mais facilidade em trabalhar com a parte da população de alto risco, enquanto os órgãos governamentais estão mais focados no trabalho com grupos "de riscos variáveis" como a população em geral, jovens e mulheres. Pesquisa O estudo está baseado em informações de órgãos governamentais e de entidades civis especializadas no combate e na prevenção ao vírus HIV. Em cada país o diretor do programa nacional de Aids recebeu um questionário, no qual foram pedidas informações, incluindo a descrição do programa de combate à Aids, a legislação, como funciona o trabalho junto a grupos considerados de risco, o financiamento e a relação com organizações não-governamentais e com agências internacionais. Ao todo foram dez perguntas. Um outro questionário também foi enviado a ONGs, em que as organizações tiveram que responder questões como o tempo de experiência que possuem no assunto e o trabalho que realizam junto a grupos de riscos ou com portadores do vírus. Em 2001, cerca de 130 mil adultos e crianças foram infectados pelo HIV e 80 mil morreram. No entanto, os índices subestimados são tão comuns que os pesquisadores calculam que existem provavelmente 30% a mais de casos de Aids e 40% a mais de pessoas infectadas pelo vírus HIV do que mostram as estatísticas existentes na América Latina. Ajuda Em setembro de 2003, o Banco Mundial aprovou empréstimos acima de US$ 550 milhões para financiar a implementação dos programas de controle e prevenção do HIV/Aids em vários países da América Latina. No Brasil, o Banco Mundial já financiou três grandes projetos, sendo o maior parceiro do banco na região. Segundo o mais recente relatório da Unaids, o Programa das Nações Unidas para o Combate ao HIV/Aids, estima-se que 42 milhões pessoas no mundo vivem com HIV/AIDS. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||