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Atualizado às: 18 de novembro, 2003 - 17h01 GMT (15h01 Brasília)
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'Não tinha mais ninguém', diz indiana
Tamil perdeu sua família por causa da Aids
Tamil perdeu sua família por causa da Aids

Tamil trabalha orientando outros portadores de HIV em Trichi, na Índia. Ela conta como perdeu o marido e a filha, mortos por causa da Aids:

"Meu nome é Tamil e tenho o vírus HIV.

Sei muito bem como meu marido era. Eu vivia lhe dizendo para não ter relações sexuais com tanta gente, mas ele sempre queria muitas pessoas.

Eu não tinha pais, nem apoio. Somente meu casamento. Era sozinha, sem ninguém para cuidar de mim. Mesmo assim, depois de algum tempo, eu lhe disse: “ Não tenho mais ninguém, então, por favor, mude seus hábitos.

Ele melhorou. Mas, quando engravidei outra fez, resolvi fazer um teste de HIV. Ele foi contra, alegando que não havia necessidade. Assim mesmo, sem que soubesse, fui a uma clínica para o exame. Resultado: HIV positivo.

Morte em dose dupla

Liguei para meu marido, que trabalhava a uns 50 quilômetros. Disse que tinha o vírus e iria cometer suicídio. Ele pediu para eu prometer que não me mataria e veio para casa.

Mesmo sem que fizesse o teste, nós dois sabíamos que ele era soropositivo. Só dele eu poderia ter contraído o vírus.

Agora ele está morto. Depois do diagnóstico, ficou doente de tão deprimido. Até então, estava bem, mas a depressão desencadeou a Aids. Quando adoeceu, minha gravidez estava em estágio avançado. Avançado demais para um aborto.

 Meu marido morreu 11 dias depois do nascimento de nossa filha. No quadragésimo dia, ela também morreu.

Tamil

Ele deixou de comer direito, não queria mais saber de comida. Só repetia: “Eu vou morrer, não há remédio, vou morrer.”

Meu marido morreu 11 dias depois do nascimento de nossa filha. No quadragésimo dia, ela também morreu. Era uma menina saudável, muito saudável. Sem sintomas, sem febre. Até que um dia, às quatro da manhã, faleceu. Ainda não sei do quê.

Sem apoio

Se eu tivesse tido um casamento arranjado, teria apoio da família. Mas não tive. Nem meus sogros me apoiaram.

Inicialmente não contei para ninguém que tinha o vírus.

Na época, com medo do estigma e da discriminação, disse que minha filha tinha icterícia.

Quando soube que portava o HIV, mal saía de casa. Só chorava e chorava. De tanto medo de contar o meu problema, não procurei ninguém para me apoiar.

Mas agora comecei a falar. Faço parte do grupo de soropositivos de Tamil Nadu e trabalho orientando outros portadores do HIV."

Entrevista concedida à Vineeta Dwidedi, da seção hindi do Serviço Mundial da BBC.

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