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Caso Yukos é muito preocupante, diz premiê da Rússia
O primeiro-ministro Mikhail Kasyanov disse nesta sexta-feira estar 'muito preocupado' com a crise detonada pelo caso Yukos, que jogou as grandes empresas da Rússia contra o Kremlin. Os comentários foram interpretados como as primeiras críticas do alto escalão do governo russo até o momento sobre a iniciativa da promotoria russa de congelar quase metade das ações da petrolífera Yukos e prender o seu executivo-chefe. Ainda nesta sexta-feira, os promotores russos decidiram liberar cerca de 5% das ações da empresa, depois do bloqueio de quase metade delas na quinta-feira. O correspondente da BBC na Rússia disse que Kasyanov parece ter ignorado uma orientação direta do presidente Vladimir Putin de que representantes do governo se mantenham afastados do caso. "O congelamento das ações da Yukos é um novo fenômeno, cujas conseqüências são difíceis de analisar", afirmou Kasyanov. Ameaça Os comentários vieram à tona em meio a especulações de que a permanência do primeiro-ministro no cargo pode estar ameaçada. Kasyanov é um político veterano, que surgiu sob a administração do presidente Boris Yeltsin, na época em que a Yukos e outras empresas estatais lucrativas foram privatizadas em circunstâncias confusas. O chefe de gabinete de Putin, Alexander Voloshin, também nomeado na época de Yeltsin, perdeu o cargo há poucos dias. Muitos russos acreditam que o caso contra o dono da Yukos, Mikhail Khodorkovsky, que seria o homem mais rico da Rússia, tem motivos políticos. O magnata financiou grupos políticos de oposição, se envolvendo em política e quebrando dessa forma o que muitos analistas chamam de "acordo tácito" entre governo e empresários. Alguns comentaristas afirmam que as iniciativas contra Khodorkovsky e a Yukos criaram a maior crise política já vista nos três anos do governo Putin. Dúvidas Os investidores estão reavaliando as credenciais de Putin para gerir uma das maiores economias emergentes do mundo, enquanto comentaristas políticos interpretam a ação como uma forma da ala linha-dura do Kremlin eliminar as críticas políticas. "Ele foi longe em manchar a sua reputação", afirma Andrew Kuchins, diretor do Centro Carnegie Moscou. "Não é impensável que ele consiga reverter essa situação, mas vai ser necessária uma forte pincelada de liderança para consertar o estrago." Conselheiros estrangeiros da Yukos estão planejando fazer lobby em favor da empresa com os governos de outros países, entre eles os Estados Unidos. De acordo com Stuart Eizenstat, ex-vice secretário do Tesouro americano e membro do conselho internacional da empresa que controla a Yukos, os conselheiros estão se preparando para usar sua influência em Washington, Londres e Berlim para conseguir apoio para a companhia de petróleo. "Nós não vemos nenhuma base legal justificável para a ação do Kremlin", disse. "Cada um de nós vai tentar acionar seus respectivos governos." Bolsa Entre seus colegas no conselho estão um ex-ministro da Economia alemão e um ex-parlamentar britânico. Na Rússia, a sexta-feira foi mais um dia de negociações voláteis das ações da Yukos. "As autoridades russas chegaram a um ponto em que tudo é possível. Ninguém vai se surpreender se amanhã as ações da Yukos forem confiscadas", disse Steven Dashevsky, chefe de pesquisa da corretora Aton. "As ações da Yukos estão se tornando um lixo tóxico, que muitos administradores de portfólio não vão querer, não só por razões de desempenho, mas por causa de sua própria carreira", afirmou. No pregão da tarde, porém, o valor das ações da Yukos subiu 12%, recuperando quase toda as perdas da quinta-feira. |
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