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Atualizado às: 28 de outubro, 2003 - 22h26 GMT (20h26 Brasília)
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Prisão de homem mais rico da Rússia 'teria motivação política'

Mikhail Khodorkovsky, presidente da companhia de petróleo Yukos
Khodorkovsky foi preso no aeroporto de Novosibirsk, na Sibéria

Analistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que a prisão do empresário Mikhail Khodorkovsky, presidente da companhia de petróleo Yukos, teve motivação política.

"É um mistério. O que está mais ou menos claro é que o envolvimento dele com atividades criminosas não é maior do que o de outros empresários", disse o analista Anatoli Sosnovsky, pesquisador da Academia de Ciências de Moscou.

"Estamos vivendo a política do medo. Os burocratas, os procuradores estão tentando amedrontar todo mundo, para que pensem duas vezes antes de atuar contra as autoridades", afirmou Martin McCauley, professor aposentado da Escola de Estudos Eslavônicos do University College, de Londres.

Khodorkovsky, de 40 anos, é dono de uma fortuna de US$ 8 bilhões que o tornam, possivelmente, o homem mais rico da Rússia.

Intimidação

Ele foi preso no sábado, no aeroporto de Novosibirsk, depois de ter se recusado a prestar depoimento no dia anterior em uma investigação sobre evasão fiscal e furto de propriedade do Estado.

A operação, executada por agentes do serviço de informações russo, o FSB, lembrou métodos da antiga KGB - o serviço secreto soviético.

Há poucos meses, a escola onde a filha de Khodorkovsky estuda foi vasculhada por agentes da FSB.

Para McCauley, autor do livro Bandits, Gangsters and the Mafia in Russia since 1992 (Bandidos, Gangsters e a Máfia na Rússia desde 1992, em tradução livre), a semelhança entre FSB e KGB não é fruto do acaso.

"As duas são a mesma coisa e usam as mesmas táticas. Os agentes violam a lei agora muito mais do que a KGB fazia durante os anos 80. A FSB tem um poder enorme."

De acordo com Sosnovsky, a tradição de intimidação política na Rússia vem de antes da criação da KGB.

"A situação de direitos dos presos é bastante dramática. A política aplicada a Khodorkovsky não é diferente da dedicada a outros presos", disse.

Eleições

A proximidade das eleições - parlamentares em dezembro, e presidenciais em março - influenciou na prisão do empresário, segundo Sosnovsky.

O analista russo afirma que existem duas correntes que estão lutando pelo futuro político do país: o grupo tradicional, no poder desde os tempos de Boris Yeltsin, e uma corrente nova, que tem muitos ex-oficiais do serviço secreto, chamada grupo de São Petersburgo.

"A prisão dele tem a ver com a pressão de um grupo que eu chamaria de ultras, que quer consolidar o controle de todas as esferas da vida do país para garantir a sucessão no futuro, ou a continuação do governo atual, sem adversários", afirmou.

"Isso terá conseqüências negativas para a vida política do país", acrescentou.

No começo deste ano, Khodorkovsky anunciou apoio financeiro aos dois principais partidos liberais, SPS e Yabloko, de oposição a Putin.

Com isso, ele rompeu um acordo não escrito em que se permitia a empresários fazer fortunas com empresas recentemente privatizadas, desde que não se envolvessem em política.

Exílio

O professor McCauley afirma que Putin - ou os burocratas a sua volta - se sentiu ameaçado com a atuação de Khodorkovsky.

Dois outros oligarcas, Boris Berezovsky e Vladimir Gusinsky, foram forçados a sair da Rússia e hoje vivem no exterior.

Berezovsky, um magnata da mídia, dono de uma fortuna estimada em US$ 3 bilhões, se refugiou em Londres. Quanto a Gusinsky, que ficou bilionário também no ramo da mídia, não se sabe se ele está na Grécia, na Espanha ou em Israel.

"Aparentemente, as pessoas em volta de Putin disseram a esses oligarcas que eles deveriam partir para o exterior se quisessem ficar livres. E Khodorkovsky se recusou a deixar a Rússia", lembrou McCauley.

Bolsa

Logo depois da prisão de Khodorkovsky, a Bolsa de Valores de Moscou caiu 13%, com reflexos em outros mercados emergentes, como Brasil, México e países asiáticos.

Os C-Bonds, títulos da dívida externa brasileira, caíram dois pontos percentuais, mas já subiram um ponto e meio.

Para Dráusio Giacomelli, estrategista de mercado do J.P. Morgan, o efeito dominó se deu porque investidores que tinham um portfólio muito grande na Rússia tiveram que vender suas ações em outros mercados para cobrir o prejuízo.

Pedro de Souza Leão Regina, diretor do banco de investimentos Anchorage Capital, baseado em Londres, diz que o Brasil, por ser o maior emissor de títulos desse tipo, é o mais afetado.

"Quem entende mais do mercado ganhou dinheiro. Quem saiu perdendo foram os investidores menores."

Segundo ele, não há motivos para preocupação no mercado, porque trata-se de uma questão política, e não econômica.

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