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Líder do Hamas já fala de 'guerra religiosa' dos EUA
Para alguém que vive sob a mira das armas de Israel, Sheikh Ahmed Yassin irradia confiança. Paraplégico e barbado, Yassin é o fundador e líder espiritual do Hamas, o maior e mais militante grupo palestino de combate à ocupação israelense. Em setembro, militares de Israel tentaram assassiná-lo. No entanto, ele não estava escondido quando o encontrei. Estava em casa, acompanhado de um único vigia armado. Perguntei-lhe sobre o assunto mais quente do dia, um possível cessar-fogo palestino. Termos de paz O Hamas já concordou em participar de negociações de paz com a Autoridade Palestina, mas Sheikh Yassin, ainda não conhecia os termos. "A questão é: onde está o interesse nacional palestino nisso tudo?", questionou Yassin. "No passado, chegamos a declarar um cessar-fogo unilateral, demos ao inimigo israelense uma trégua de 50 dias, mas eles não se comprometeram nem por um dia. Continuaram a matar e a cometer os seus crimes, demolindo casas e construindo assentamentos." "Então, temos que estudar onde fica o interesse nacional palestino em tudo isso: na resistência ou no cessar-fogo." O Hamas vem pedindo um cessar-fogo mútuo, o que significaria a suspensão das operações israelenses, morte e ataques contra palestinos. A julgar pelas declarações públicas, integrantes da Autoridade Palestina também estão adotando a mesma linha. Homens-bomba Eu perguntei a Sheikh Yassin se o Hamas estaria disposto a interromper os ataques suicidas em Israel. Esses ataques já deixaram centenas de civis mortos e levaram o movimento islâmico à condenação internacional. A campanha também acarretou duras retaliações de Israel e ameaças de expulsão do líder palestino Yasser Arafat. "A nossa batalha é militar, contra os soldados e colonos judeus. Os ataques dentro de Israel, essas são operações que realizamos em reação aos crimes israelenses contra o nosso povo", afirmou Yassin, explicando a antiga política do Hamas de bombardeios suicidas. "Eles não são a estratégia do nosso movimento, a nossa estratégia é nos defender de um exército de ocupação, de colonos e assentamentos." Ele também afirma que as recentes reuniões entre o Hamas e o Hezbollah no Líbano não trataram de cooperação militar, ao contrário do que Israel alega. Potencial O militante diz que os dois grupos apenas conversaram sobre a troca de prisioneiros que Israel está negociando com a milícia libanesa. No entanto, Yassin deu a entender que – devido ao apoio cada vez menos crítico dos Estados Unidos a Israel – há um grande potencial para uma coordenação política muito maior entre os grupos militantes palestinos e outros no Líbano e no Iraque. "Os interesses amercanos não podem ser separados dos de Israel, eles são relacionados de uma maneira muito forte." "Os Estados Unidos são quem dá dinheiro e armas para Israel. Os Estados Unidos estão dfendendo Israel no Conselho de Segurança, ao vetar resoluções." "Nós não lutamos contra os americanos, nós não lutamos contra os europeus, nós só lutamos no solo palestino contra o inimigo israelense que tomou o nosso lar", continua Yassin. "Então, porque os Estados Unidos e a Europa nos incluíram na lista de terroristas, quando nós jamais ameaçamos os interesses deles?" "E quando eles entraram no Iraque sob alegações de armas de destruição em massa? Agora ficou claro que os Estados Unidos estavam mentindo para o mundo", afirma Sheikh Yassin. Yassin chegou às suas próprias conclusões. Ele sempre sustentou que a luta do Hamas é apenas contra Israel, e que o grupo não está interessado em ampliar a sua frente de batalha. Guerra religiosa No entanto, hoje ele sugere que o conflito no Oriente Médio pode não ser simplesmente um caso de ocupação de Israel em um território árabe, mas também pode ser parte do que ele chama de "guerra americana contra o Islã". "Quando George W. Bush declarou a sua guerra contra o terrorismo, depois do 11 de Setembro, ele afirmou que era uma guerra de Cruzadas", afirma Yassin. "E hoje há pessoas nos Estados Unidos que também dizem que essa é uma guerra religiosa. E as provas mostram que é uma guerra contra muçulmanos: no Afeganistão, no Iraque e na Palestina", conclui. O líder do Hamas parece estar dizendo aos Estados Unidos e à Europa que as condições para um conflito ideológico, o que alguns chamariam de um confronto entre civilizações, já foram criadas. E, embora Israel e o Ocidente classifiquem Sheikh Yassin de "terrorista islâmico", ele é também um dos políticos mais influentes do Oriente Médio. Por isso, muita gente vai levar a sério a sua acusação de que os conflitos regionais estão se transformando em uma guerra religiosa. |
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