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Atualizado às: 30 de outubro, 2003 - 18h34 GMT (16h34 Brasília)
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Sem Anistia não teríamos sobrevivido, diz vice de Alfonsín

General Jorge Rafael Videla e Roberto Viola, ex-integrantes da Junta que governou a Argentina entre 1976 e 1983
Ex-integrantes da Junta militar pressionavam novos governos civis

O ex-vice-presidente de Raul Alfonsín, Víctor Martínez, de 78 anos, afirmou à BBC Brasil que a anistia aos militares foi o preço da estabilidade do primeiro governo democrático no país.

"Era preciso estar dentro do governo para entender a pressão que sofríamos dos militares", disse Martínez, que cedeu a entrevista em seu apartamento na sofisticada Avenida Alvear, em Buenos Aires.

"Eles (os militares) nos pertubaram com aquelas ameaças contra a democracia”, desabafou Martínez, hoje dono de olheiras permanentes e quilos extras – também de longa data.

"Além disso, enfrentamos o desafio dos peronistas e dos sindicatos (maioria peronistas) que realizaram 13 greves contra o governo."

Embora justifique a perdão dos militares com o contexto da época, Martínez também condena a iniciativa do governo de Néstor Kirchner de anular as leis de anistia.

"Aquelas leis representaram um esforço para acalmar as águas. Não tinha outro jeito. Hoje, continuo acreditando que elas serviram e servem para manter a unidade nacional", disse Martinez.

Transição

 Era preciso estar dentro do governo para entender a pressão que sofríamos dos militares.

Víctor Martínez, vice de Raul Alfonsín

Mas Martínez atuou na política há até pouco tempo, tendo sido embaixador no Peru, e atuado nos dois anos do governo do ex-presidente Fernando de la Rúa.

Vinte anos depois da volta à democracia, Víctor Martínez vê o governo do qual foi vice-presidente como um processo de transição.

"Nós fomos um governo de transição porque a Argentina passou anos entrando e saindo de golpes militares."

De acordo com dados históricos, de 1930 até as eleições de 1983, o país teve 24 governos – 14 dos quais chegaram ao poder através de golpes ou alguma iniciativa militar.

"Quando assumimos, em 10 de dezembro de 1983, a Argentina tinha vários desafios, e em diferentes áreas: direitos humanos, o processo dos militares, a organização das instituições e o retorno do país ao mundo."

Ele lembra ainda que foi naquela época – entre 1983 e 1989 – que a relação com o Brasil foi intensificada, tendo sido assinado, por exemplo, o acordo para fins nucleares pacíficos e ainda os primeiros passos para criação do Mercosul.

"A determinação do presidente Alfonsín era inserir a Argentina no mundo. E por isso, certamente, eu fui o vice que mais saiu do país. Foram viagens ao Brasil, a Venezuela, El Salvador, Japão, China, Coréia e tantos outros países", afirma o ex-vice-presidente argentino.

Para Martínez, os anos de governo de Alfonsín poderiam ter servido para "aprofundar" ainda mais a democracia, caso não tivessem ocorrido as rebeliões militares, realizadas pelos "carapintadas", em 1987 e 1988.

Víctor Martínez acha que democracia verdadeira também precisa de "avanços sociais" e confessa que chegou a temer pela estabilidade do país quando viu que o presidente Néstor Kirchner estava decidido a enterrar as leis do perdão aos militares – chamadas de obediência devida e ponto final e assinadas no governo Alfonsín.

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