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Brasil e Argentina têm caminhos diferentes, dizem analistas
O Brasil e a Argentina estão trilhando caminhos diferentes em uma série de questões, e a estratégia brasileira confirma a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na região. É essa a opinião de analistas ouvidos pela BBC Brasil no momento da visita de 42 horas que Lula realiza ao país vizinho, com o objetivo de fortalecer a relação com a Argentina. "Lula está tomando a iniciativa de aproximar o Peru, a Venezuela e também a Colômbia para uma integração com o Mercosul. Uma prova de que tem liderança”, observa o cientista político Rosendo Fraga, da consultoria e instituto de pesquisas de opinião Centro de Estudos União para a Nova Maioria. "Também foi iniciativa brasileira convidar a Índia e a China para integrarem o G-20. Uma postura que a Argentina é obrigada apenas a acompanhar, não disputando a liderança". Para negociadores brasileiros no Mercosul, a concordância está em negociar a entrada para a Área Livre Comércio das Amércas (Alca) por intermédio do bloco e ainda aumentar a produção dos dois países com colaborações. Integração? Um exemplo disso seria: a Argentina produziria couro e o Brasil, sapatos. Mas para os analistas as coincidências não vão muito além disso e do gesto político que promete ser o chamado Consenso de Buenos Aires. Hoje, os dois países, observam Rosendo Fraga e o professor de Relações Internacionais da Universidade Torcuato Di Tella, Sérgio Berensztein, vivem momentos diferentes não só na questão da política e econômica, na qual o Brasil adotou uma linha mais ortodoxa e a Argentina, heterodoxa. Enquanto a Argentina fala na "integração da América Latina", para incluir o México neste grupo e conseguir equilíbrio em relação ao peso do Brasil, como revelou um diplomata argentino, o governo brasileiro fala em "integração da América do Sul". Outra discordância é o fato de o Brasil pleitear uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e a Argentina ter defendido que esta cadeira fosse rotativa para todos os integrantes da América Latina, incluindo o México. Segundo assessores do governo argentino, Néstor Kirchner não gostou de saber que o presidente chileno Ricardo Lagos apóia a cadeira permanente para o Brasil. "Hoje, Ricardo Lagos é o presidente que faz a cabeça de Kirchner. Apesar disso, o presidente argentino continua a favor de uma cadeira na ONU para todos", afirma Sérgio Berensztein. Além dessas diferenças, observa Fraga, o Brasil tem uma taxa de risco-país de cerca de 600 pontos básicos, enquanto a Argentina se mantém como a primeira do mundo, com taxa superior aos 5 mil pontos básicos – um dos motivos que afasta os investidores, principalmente desde que o país declarou a moratória da sua dívida, em dezembro de 2001. Para ele, esta é uma das provas de que os dois países trilham diferentes caminhos neste quesito. "Não somos tão iguais quanto queremos parecer”, diz. Para Rosendo Fraga, a linha de governo de Kirchner será entre o governo Lula e o governo do venezuelano Hugo Chávez. Como afirmou o analista, a linha não será nem provocativa aos Estados Unidos como Chávez, mas nem também com as políticas ortodoxas adotadas pelo governo brasileiro. A decisão de Kirchner justifica-se porque ele deverá encontrar um equilíbrio que permita ao país voltar a crescer, depois de uma queda acumulada de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 1998 e 2002. |
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