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Lula sela a paz e mostra união com colega argentino
A viagem de dois dias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Argentina tem pelo menos dois objetivos: selar a paz com o colega argentino, Néstor Kirchner, e mostrar ao mundo que os dois países estão unidos, há um mês da reunião ministerial sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), em Miami. Essas informações foram dadas à BBC Brasil por diplomatas dos dois países. Até poucos dias, a relação entre Kirchner e Lula estava estremecida. Na ocasião, o mal-estar era tanto que alguns diplomatas brasileiros chegaram a duvidar da viabilidade da visita de Estado que o presidente brasileiro realiza agora ao país vizinho. “Como é que o presidente vai chegar aqui neste clima? Não faz sentido”, observou um deles, quando faltava um mês para o desembarque de Lula à capital argentina. O presidente argentino não conseguia entender, como contou o deputado eleito Miguel Bonasso, conselheiro de Kirchner, porque o colega brasileiro não lhe telefonou quando a Argentina desafiou o Fundo Monetário Internacional (FMI). FMI Naquele dia, 9 de setembro, o governo argentino anunciou que não pagaria a parcela de US$ 2,9 bilhões que devia ao FMI se as exigências do acordo não fossem revistas e incluíssem compromissos sociais, além das metas fiscais. O acordo acabou sendo assinado, poucas horas mais tarde. Por sua atitude, Kirchner recebeu telefonemas de apoio dos presidentes do México, Vicente Fox, e do Chile, Ricardo Lagos. Mas esperou e não recebeu telefonema de Lula, o que o levou a se queixar, por intermédio de diferentes assessores. A situação ficou tensa durante vários dias. Coube ao próprio presidente Lula quebrar o gelo ao cruzar com Kirchner nos corredores da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, no mês passado. “Companheiro, há quanto tempo. Quando é que você vai me convidar para comer aquele cordeiro da Patagônia”, disse abrindo os braços para Kirchner. Mal-estar O gesto do presidente Lula serviu para afastar o mal-estar que reinava naquele momento por parte do presidente argentino. A paz, agora, será selada não só com a assinatura do chamado Consenso de Buenos Aires, mas também com o prometido cordeiro da Patagônia – prato típico da terra de Kirchner – a ser saboreado num almoço, nesta sexta-feira, em El Calafate, na província de Santa Cruz, na Patagônia. Há quem acredite, como o professor da Universidade Torcuato Di Tella, Sergio Berensztein, que a relação entre os dois não será mais como no início, quando Kirchner desembarcou em Brasília na sua primeira viagem ao Brasil levando uma camisa do seu clube de futebol, o Racing, para Lula. Isto ocorreu há cinco meses, assim que o presidente argentino foi eleito. “Não será mais uma relação de deslumbramento, mas de realismo”, prevê. Neste período de cinco meses, Kirchner começou a tentar se afastar da imagem de Lula quando mandou recados, através de assessores, que foram publicados na imprensa argentina, de que discordava da política econômica adotada pelo Brasil. “Esse muchacho deve tomar cuidado porque foi assim que Menem começou”, teria chegado a dizer, de acordo com o jornal Clarín, em referência ao ex-presidente Carlos Menem, eleito e reeleito, mas hoje sem poder sair às ruas. Das críticas à linha ortodoxa adotada pelo governo brasileiro, Kirchner passou a condenar a falta do telefonema de Lula no dia das diferenças públicas com o FMI. Agora, passado o estremecimento, e em meio a decisivas negociações para formação da Alca, os dois voltam a ser fotografados juntos. |
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