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Argentina também se prepara para produzir urânio enriquecido
A exemplo do Brasil, a Argentina também está se preparando para produzir urânio enriquecido, o que deverá ocorrer em, no máximo, dois anos. A diferença, porém, é que o objetivo do país vizinho é lançar uma nova tecnologia, produzindo para exportar e com preços 30% mais baratos que o mercado internacional. As revelações foram feitas à BBC Brasil pelo cientista argentino Pablo Florido, chefe de Projetos de Enriquecimento de Urânio do Centro Atômico de Bariloche, no sul da Argentina, e integrante da equipe de inspetores argentinos dos projetos nucleares do Brasil. Os dois países possuem um acordo de controle nuclear conjunto que também prevê a presença de inspetores brasileiros nas usinas argentinas – Atucha, próximo a Buenos Aires, que consome baixa quantidade de urânio, e Embalse, na província de Córdoba. Exportação Segundo ele, a Argentina produziu urânio enriquecido até 1992. Agora, porém, os cientistas do ramo estão dedicados a modificar a tecnologia deste centro atômico em Bariloche, preparando a produção para a exportação. Hoje, contou, como o Brasil, a Argentina importa pequena quantidade de urânio para consumo próprio. Pablo afirmou que “aplaude” a iniciativa brasileira, já que a tecnologia, anunciada ontem pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, tem “fins pacíficos” e vai servir para cumprir a meta de acabar com a importação de um produto que o Brasil já possui. “Nesse sentido, o Brasil está dando todos os passos corretos e, no meu ponto de vista, louváveis, para poder enriquecer urânio para suas centrais nucleares”, afirmou, citando os dois reatores, Angra I e Angra II. “O Brasil consome urânio enriquecido, mas hoje é obrigado a importá-lo. Com a medida, passará a ser independente das importaçoes”, reiterou. Tratado O cientista, de 39 anos, argumentou que não há motivos para preocupação em relação à fabricação de uma bomba nuclear, já que os dois países possuem um tratado único de paz neste setor e uma agência comum de controle das medidas e estudos nucleares. Pablo Florido lembrou que Brasil e Argentina não contam com entendimento específico para a produçao de urânio. Por isso, os dois países podem realizar, livremente, seus próprios projetos. “Em vez de colocar a Argentina dentro de um clube de escassos donos desta tecnologia, estamos planejando como fazer parte do grupo de países que exportam o urânio enriquecido e até mesmo sua tecnologia”, adiantou. Sobre os cientistas brasileiros, ressaltou: “Como inspetor, o que percebo é o alto grau de profissionalismo dos brasileiros e a decisão de uso pacífico. Por isso, insisto, não há motivos para preocupação. Do ponto de vista técnico, comemoramos”. |
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