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Atualizado às: 07 de outubro, 2003 - 21h13 GMT (18h13 Brasília)
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Enriquecimento de urânio brasileiro 'preocupa', diz ONG dos EUA

O ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral
Para o ministro Roberto Amaral, tecnologia trará economia ao Brasil

A decisão do Brasil de enriquecer urânio a partir de 2004 foi criticada por uma das principais organizações pacifistas não-governamentais dos Estados Unidos.

John Cirincione, diretor do Projeto de Não-Proliferação do Carnegie Endowment for International Peace, disse que o anúncio feito na segunda-feira pelo governo brasileiro é "preocupante".

"Uma vez detentor dessa tecnologia, o Brasil pode enriquecer o urânio o quanto desejar, sendo capaz de fazer armas nucleares", afirmou Cirincione.

O Ministério da Ciência e Tecnologia diz que o projeto tem fins pacíficos. O urânio servirá como combustível para a produção de energia elétrica nas usinas nucleares de Angra 1 e 2.

Enriquecimento

O minério será enriquecido por um método conhecido como ultracentrifugação ao máximo de 4% permitido pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), agência da ONU que vai inspecionar as atividades brasileiras.

Na opinião do diretor do Carnegie Endowment, o fato de o país ser signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear e estar agindo sob observação da AIEA não torna a situação menos preocupante.

Cirincione disse que quem é detentor de tecnologia para enriquecer urânio a 4% pode fazê-lo em percentuais mais elevados, podendo usar o processo na fabricação de armas nucleares.

“Queremos limitar a divulgação dessa tecnologia, e cada vez que um novo país a adquire, fica mais difícil de controlar isso."

Cirincione criticou o atual modelo de controle da proliferação de armas não-convencionais. Segundo ele, permite-se a todos os países desenvolver tecnologias nucleares, desde que aceitem a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica.

"Casos como o do Brasil, assim como o do Irã, destacam a necessidade de se elevar esses controles. Precisamos mudar todo esse sistema."

Economia

O diretor da ONG dos Estados Unidos afirmou ainda que as justificativas econômicas apresentadas pelo governo brasileiro para utilizar o urânio não se sustentam.

"Não há também boas razões econômicas para que o Brasil faça isso. Ele pode comprar o combustível que precisa", disse.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, disse que ao produzir domesticamente o urânio - hoje ele é enriquecido no Canadá e na Europa - o Brasil vai economizar cerca de US$ 12 milhões a cada 14 meses. Além de poder faturar exportando o combustível no futuro.

John Cirincione comentou ainda sobre o papel dos Estados Unidos nas questões que envolvem a proliferação nuclear. Segundo ele, "normalmente, o governo dos Estados Unidos tentaria convencer o Brasil a não fazer isso".

"O problema com a atual administração (americana) é que ela tem duas listas: uma de países vistos como responsáveis, que podem desenvolver e ter as armas que quiserem – como é o caso de Israel. E outro em que são enquadrados os países ditos irresponsáveis, como o Irã e a Coréia do Norte."

Ele acrescentou: "O problema é que essa tecnologias podem ser transferidas depois a outros. E os países podem mudar, e dentro de alguns anos passar a estar na lista dos irresponsáveis".

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