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Atualizado às: 17 de outubro, 2003 - 00h13 GMT (21h13 Brasília)
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Análise: EUA e Grã-Bretanha carregarão o fardo no Iraque

Iraque
EUA queriam que resolução atraísse mais recursos e tropas

Uma nova resolução foi aprovada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), mas a probabilidade é que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha tenham que continuar a enfrentar as dificuldades no Iraque com pouco apoio.

A resolução teve incluídas emendas que "convidam" o Conselho de Governo Iraquiano a fixar, até o dia 15 de dezembro, um cronograma para a formulação de uma Constituição e para eleições.

O documento também acena na direção da França com a declaração de que o Conselho "vai encarnar a soberania do Estado do Iraque durante o período de transição", apesar de a palavra "soberania" parecer bastante simbólica, já que o poder real vai permanecer nas mãos na Autoridade Provisória da Coalizão – em outras palavras: as forças de ocupação.

A resolução prevê também cobertura, embora não aprove abertamente, para a formação de uma "força multinacional sob um comando unificado".

Isso, na prática, significa que o Exército americano, com o apoio dos britânicos no sul e com algumas unidades italianas, espanholas e, entre outras, da Albânia, que foi o último país a se juntar ao grupo.

Indicadores

O ministro do Exterior britânico, Jack Straw, apresentou ao Parlamento uma avaliação otimista, destacando o apoio que vem sendo recebido de outros países.

No entanto, dois indicadores – dinheiro e soldados – mostram que principalmente os americanos, os britânicos em menor escala, estão carregando o peso sozinhos e vão continuar a fazê-lo, na esperança de que daqui a um ano as coisas melhorem.

A nova resolução, embora tenha sido anunciada no início como a chave para o envio de tropas de outros países, não deve conseguir alcançar esse objetivo.

"É um trabalho de fundação", afirmou um representante do governo britânico.

Mesmo a oferta da Turquia de enviar tropas para o Iraque central (ao redor das áreas curdas no norte) não foi bem recebida pelo Conselho de Governo.

Ou seja, não deve acontecer um fluxo de tropas estrangeiras para o Iraque.

Verbas de outras fontes também não devem chegar ao Iraque. O fardo deve continuar a ser carregado pelo contribuinte americano, que está sendo convidado a desembolsar US$ 20 bilhões para a reconstrução do país.

Verba curta

O governo britânico deve entrar com outros US$ 920 milhões.

O resto da União Européia, em um encontro de ministros do Exterior em Luxemburgo nesta semana, decidiu não abrir as mãos. Só a Comissão Européia decidiu oferecer US$ 200 milhões.

O governo da Alemanha alegou estar fazendo o suficiente no Afeganistão e não ter mais dinheiro. O da Suécia disse que as condições não estavam corretas, e a França não teria dado explicações, segundo diplomatas presentes.

O clima teria sido, segundo um diplomata: "Aqueles que provocaram os danos no Iraque que o consertem."

As perspectivas de uma "conferência de doadores" para o Iraque em Madri, nos dias 23 e 24 de outubro, não são das mais promissoras, embora a melhor propaganda seria mostrar resultados.

O Banco Mundial diz serem necessários US$ 55 bilhões.

Fundo multinacional

Para incentivar as contribuições, os organizadores estão deixando claro que os recursos doados serão despejados em um fundo multinacional e não ficarão à disposição das forças de ocupação.

Um dos maiores problemas enfrentados pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha é a dificuldade que têm de explicar os seus planos. Os problemas de segurança têm dominado as manchetes e estão atrapalhando o processo de reconstrução.

No entanto, os governos de Washington e de Londres não parecem ter convencido nem os iraquianos nem outros países de que realmente existe um plano de reconstrução.

Ainda assim, existem planos. Em uma visita recente a Londres, Hilary Synnott, um experiente diplomata à frente da Autoridade Provisória no sul do Iraque, falou sobre os problemas de fornecimento de energia elétrica em Basra.

Energia

Duas das principais linhas elétricas estavam quebradas e, segundo ele, não seriam consertadas nas próximas semanas.

O sistema está decrépito, segundo Synnott, e só no ano que vem um grande projeto da construtora americana Bechtel deve ser iniciado.

O nome Bechtel, que abriga as esperanças dos americanos, é suficiente para provocar protestos no Iraque. O governo não só não explicou direito as suas propostas, como não foi capaz de conseguir apoio para elas.

Emma Sangster, porta-voz da Voice UK, resumiu, em uma conferência de empresas interessadas em trabalhar no Iraque, os argumentos da oposição às multinacionais.

"Companhias estrangeiras vão comprar setores da economia iraquiana visando a lucros rápidos."

Synnott, quando perguntado sobre os esforços da coalizão de explicar as suas intenções, lamentou que ninguém esteja interessado na televisão estatal iraquiana "porque tudo que se vê são pessoas como eu".

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