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Atualizado às: 16 de outubro, 2003 - 01h20 GMT (22h20 Brasília)
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Onda de protestos deixa mais dois mortos na Bolívia
Manifestantes em La Paz
Muitos manifestantes agora pedem a renúncia de Sánchez de Lozada

A onda de choques entre a política e manifestantes na Bolívia fez mais duas vítimas – mineradores que participavam de uma manifestação contra o governo em La Paz, na quarta-feira – elevando para mais de 50 o número de mortos.

Cerca de 2 mil mineradores participavam do protesto quando o confronto com as tropas do governo começou. Várias pessoas ficaram feridas.

La Paz está praticamente parada e começam a faltar comida e combustível na capital, enquanto os manifestantes montam barricadas nas principais autoestradas da região.

Na terceira maior cidade do país, Cochabamba, o principal político da oposição, Evo Morales, convocou novas manifestações e barricadas em estradas.

Na quarta-feira na Bolívia, líderes de vários grupos exigiram a renúncia do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada em vários protestos.

"As pessoas não o apóiam mais", afirmou o desempregado Victor Raiz, de 27 anos, ao observar os protestos em Cochabamba.

No entanto, o porta-voz do governo, Javier Torres Goitia, disse à BBC que o presidente Sánchez de Lozada não vai entregar o cargo, porque a maioria das pessoas no interior do país o apóia – e ele não gostaria de dividir o país.

Vandalismo

Goitia também acusou os manifestantes de usarem armas e morteiros contra a polícia, além de realizar atos de vandalismo contra o comércio.

Os primeiros protestos começaram há cerca de cinco dias por causa dos planos do governo boliviano de exportar gás natural.

Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, violentos choques entre manifestantes e o Exército mataram pelo menos 63 pessoas e deixaram cerca de 150 feridos, principalmente em La Paz e no subúrbio industrial de El Alto.

Na terça-feira, o Exército boliviano chegou a usar tanques de guerra para proteger o palácio presidencial.

Como consequência das manifestações, Lozada decidiu adiar a implantação do polêmico programa de exportação de gás natural para 31 de dezembro.

A estratégia de livre-mercado do presidente boliviano, que é centrada nas boas relações com os Estados Unidos, tem provocado muitas críticas no país.

Lozada insitiu que não vai deixar a Presidência e afirmou que há um plano, de origem estrangeira, para destruir a democracia na Bolívia.

Os Estados Unidos deram seu apoio a Lozada, afirmando que não vão colaborar com qualquer regime que se instaure por meios não democráticos.

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