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Confrontos na Bolívia deixam pelo menos dez mortos
Pelo menos dez pessoas morreram e 50 ficaram feridas no domingo, na Bolívia, em novos confrontos entre tropas do governo e manifestantes de oposição. Os choques mais recentes aconteceram em El Alto - cidade de 500 mil habitantes nos arredores de La Paz - e elevam para 16 o número de vítimas nos violentos confrontos entre governo e oposicionistas, que tomaram conta do país nas últimas semanas. A morte de um menino de cinco anos no sábado acirrou os ânimos e fez aumentar as críticas sobre os métodos que o governo está usando para conter os manifestantes. Líderes de organizações humanitárias e da Igreja Católica do país enviaram uma carta aberta ao presidente Gonzalo Sanchez de Lozada, referindo-se ao que aconteceu em El Alto como um "verdadeiro massacre", e condenando o uso de "grandes metralhadoras" contra as pessoas. 'Guerra do Gás' Entre outras reivindicações, os manifestantes querem a suspensão dos planos da Bolívia de aumentar as exportações de gás natural, provavelmente para o México e para os Estados Unidos. Os manifestantes, que já estão bloqueando as estradas no país, convocaram uma paralisação por tempo indefinido a partir desta quarta-feira. Os defensores da chamada guerra do gás alegam que o produto deveria ser usado para abastecer, gratuitamente, 250 mil residências que não têm acesso a gás - e não para supostamente favorecer multinacionais. Já o governo diz que a campanha contra a venda de gás faz parte de uma conspiração liderada pelo deputado oposicionista Evo Morales, que estaria planejando derrubar o presidente Gonzalo Sánchez de Lozada por meio de um golpe de Estado. Falta de comida Diante do impasse político, o país mais pobre da América do Sul acumula cada vez mais prejuízos. Falta combustível e comida e companhias aéras suspenderam seus vôos para o país. Evo Morales, líder dos produtores de coca da região de Chapare, no centro da Bolívia, nega as acusações de golpe, alegando que o próprio governo estaria tentando dar um "autogolpe" para suprimir a oposição do país. De qualquer forma, o deputado já convocou para esta segunda-feira uma série de bloqueios na principal estrada que liga o oeste ao leste da Bolívia. A morte de mais manifestantes pode dar novo fôlego a uma greve geral até então fracassada que havia sido convocada duas semanas atrás pela Central de Trabalhadores da Bolívia, pela renúncia de Sánchez de Lozada. |
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