BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 06 de outubro, 2003 - 22h58 GMT (19h58 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Para analistas, ataque à Síria pode detonar guerra na região

Avião de combate israelense
Ataque foi realizado por caças de combate israelenses

Israel pode dar início a um conflito em todo o Oriente Médio se passar a atacar a Síria de forma sistemática, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

“A política da Síria tem sido a de não provocar Israel, mas se Israel pressionar, eles vão ter que reagir”, afirma o cientista político sírio Walid Kazziha, da Universidade Americana do Cairo.

Nesse caso, diz Kazziha, outros países da região também seriam atraídos para o conflito atualmente travado entre palestinos e israelenses.

Mustafa al-Sayed, da Universidade do Cairo, afirma que Israel só realizou o ataque porque sabia que podia contar com Washington em ações contra países que os dois governos consideram hostis.

Segundo al-Sayed, o ataque de domingo à Síria é visto no mundo árabe como parte de uma estratégia conjunta dos governos israelense e americano de atacar regimes “que se opõem às políticas americanas na região e não aceitam as condições de Israel”.

O cientista político lembra que os dois países também estão juntos na oposição ao Irã, também acusado por Israel de apoiar o grupo militante Hezbollah - que Israel e Estados Unidos consideram terrorista.

"Não acho improvável que até o fim do governo de George W. Bush Israel volte a atacar a Síria ou eventualmente o Irã com o apoio tácito dos Estados Unidos."

'Nova frente'

Kazziha, da Universidade Americana do Cairo, no entanto, não acredita que o governo de George W. Bush esteja disposto a abrir uma nova frente de conflito na região, que já está lhe rendendo muitas críticas por causa das operações no Iraque.

Outros analistas, no entanto, acreditam que, exatamente por estarem "ocupados" com o Iraque, os Estados Unidos estariam deixando Israel lidar à sua maneira com os seus outros inimigos na região.

Por outro lado, não se sabe o que os Estados Unidos estariam dispostos a fazer se realmente quisessem conter uma eventual política de confrontação de Israel com os vizinhos árabes.

A proximidade entre Israel e Estados Unidos e a tentativa israelense de associar o seu combate a grupos militantes palestinos à chamada guerra contra o terrorismo podem inibir ainda mais uma ação energética por parte dos Estados Unidos.

“Depois de 11 de Setembro, Israel colocou o conflito palestino em um conflito global e manipulou os Estados Unidos a aceitarem a guerra de Israel como parte da guerra contra o terrorismo”, afirma o especialista em Oriente Médio do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos de Washington, Arnaud de Borchgrave.

Borchgrave não acredita que, em plena campanha para a reeleição, Bush tenha vontade política para adotar medidas mais significativas do que um corte de um décimo de uma das verbas que reserva a Israel – atitude que tomou na semana passada.

O analista lembra que recentemente o pré-candidato democrata Howard Dean foi criticado pelo seu próprio partido apenas por defender um tratamento igualitário para Israel e países árabes.

Em relação à reputação dos Estados Unidos no mundo árabe, o diretor do Instituto Arábe Americano, James Zogby, afirma que o apoio americano a ações de Israel nos países vizinhos não mudaria a atual situação.

"Os índices de apoio estão tão baixos que parece difícil que eles possam piorar", afirma Zogby.

No entanto, tanto Kazziha quanto Al-Sayed ressaltam que é preciso esperar para ver se Israel tem mesmo intenção de alargar as fronteiras do conflito ou está apenas, na opinião dos dois analistas, desviando a atenção da sua própria atitude na região.

“Israel está estando tentando desviar a atenção para os governos árabes, tentando achar alguém para culpar, sem olhar para a verdadeira questão do conflito, que é a ocupação dos territórios palestinos”, afirma Al-Sayed.

Os dois rejeitam o argumento de Israel de que o ataque de domingo visasse instalações de grupos militantes na Síria.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade