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Resignado, Arafat espera por seu destino
Apesar das indicações do governo de Israel de que a "remoção" forçada de Yasser Arafat não era provável depois do ataque suicida em Haifa, no sábado, a segurança foi visivelmente aumentada no complexo - parcialmente destruído - do líder palestino. Pela primeira vez, depois de muitas visitas nos últimos 18 meses, eu tive que dizer quais eram minhas intenções para forças palestinas de segurança, através de uma pequena vigia na porta de metal, e submetido a uma ampla busca de minha bagagem. No entanto, uma vez dentro do complexo, uma atmosfera de nervosismo relaxado dominava o grupo de seguranças (superados em número por cerca de 40 jornalistas e pacifistas). É uma resignação ao fatalismo que os palestinos adotaram depois de viver sob décadas de ocupação militar israelense. Perguntado se medidas especiais de defesa estavam sendo adotadas para proteger o líder palestino de um ataque israelense, o assessor de Arafat, Nabil Abu Rudeinah, apontou para a pilha de destroços - os restos do assalto de forças israelenses no ano passado. "Não viu is nossos F-16 e tanques estacionados por aí?", ironizou. Lealdade Um veterano de dez anos na guarda presidencial, que se identificou apenas como Nidal, 31, calmamente professou sua lealdade ao líder. "Estou pronto a morrer para proteger Arafat. Não estou com medo, se estivesse, estaria em casa agora. Se os israelenses entrarem aqui, vamos atirar neles. Temos um plano de resposta, sala por sala (do complexo)". Em um salão de reuniões no segundo andar, Arafat - com a aparência cansada e em inglês vacilante -, fez uma declaração curta sobre o atentado em Haifa, tendo à sua direita o lider pacifista israelense Uri Avnery. "Condeno, do fundo do meu coração, esse ataque terrível, esse crime contra civis, contra israelenses e árabes", disse, em uma referência aos quatro árabes israelenses mortos no restaurante, em Haifa, no sábado. 'Imenso desastre' O primeiro-ministro indicado, Ahmed Qurei, apelou aos Estados Unidos e a outros países do quarteto que lançou o Mapa da Paz, agora paralisado, bem como à comunidade internacional para que pressionem Israel a "tratar da situação atual de forma sábia para vencer dificuldades e retomar o processo de paz". No sábado à noite, dúzias de pacifistas israelenses e estrangeiros correram para Ramallah depois do ataque em Haifa, suspeitando que poderia provocar uma retaliação israelense contra o líder palestino. Muitos passaram a noite em colchões e cobertores, em uma salão de reuniões do complexo. Alguns, incluindo Avnery, disseram que usariam seus corpos para, fisicamente, evitar uma operação contra Arafat. "Nossa principal intenção é fazer tudo o que pudermos para impedir a morte de Arafat", disse Avnery, 80, que insiste que vai dormir no complexo indefinidamente. "Acreditamos que seria um desastre de proporções históricas para Israel e para o mundo todo. Haveria um imenso derramamento de sangue provocado por aqueles que buscariam vingança". Intenção Outros discordam do carimbo de "escudos humanos" e da intenção. "Não estou aqui para proteger Arafat", disse Henry Evans-Tenbrinke, 49, um trabalhador da área de saúde de Ontario, no Canadá. "Vim em solidariedade ao povo palestino. Vou dormir aqui o tempo que for necessário para assegurar que não haverá violação de direitos humanos e nem crimes de guerra". O gabinete de segurança de Israel decidiu, em princípio, "remover" Arafat no mês passado, mas não disse quando ou onde qualquer ação seria adotada - embora prisão, isolamento, deportação e possivelmente morte estariam, alegadamente, entre as opções. A decisão foi uma resposta a dois ataques suicidas perpetrados pelo grupo militante Hamas que mataram 15 pessoas em setembro. |
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