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Analistas acham positiva política externa de Lula
O presidente Luís Inácio Lula da Silva está em Nova York, onde participa de vários de encontros por ocasião da Assembléia-Geral das Nações Unidas. Lula promete fazer um discurso duro contra os países ricos, moldando assim o estilo de sua política externa. O presidente participa na terça-feira do discurso de abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas. Lula já disse que não vai aceitar mais a posição de "coitadinho da América Latina", partindo para um discurso mais agressivo contra os países desenvolvidos. De acordo com o cientista político Viriato Soromenho Marques, professor da Universidade de Lisboa, houve uma mudança na postura do presidente brasileiro em relação à política adotada anteriormente por seu antecessor Fernando Henrique Cardoso. “Na minha opinião, o que mudou na política do presidente Lula é mais o tom do que a substância. Um dos aspectos mais notáveis na política externa brasileira é relativa à continuidade ligada a grandes temas, às grandes vocações, as vocações oceânicas, a vocação continental, a afirmação da soberania”, explicou. Soromenho Marques diz que o que mudou na política externa no governo Lula da Silva é o "grande consenso que se registra no país". De acordo com o professor, "depois do colapso de uma certa guerra ideológica nas últimas décadas, há uma grande afirmação do Brasil como nação e no conselho das nações, o que é um aspecto muito importante internacionalmente e na relação com os Estados Unidos”, afirmou. Cuba A postura mais ousada do presidente Lula vem levantando críticas de alguns analistas, que acham que a proximidade com o regime de Fidel Castro - já que o presidente visita Cuba a partir de sexta-feira - pode ser perigosa para o Brasil. Mas, para o professor da Universidade de Lisboa, a postura de Lula, apesar de "agressiva", é cuidadosa. “As relações com Cuba podem ser fundamentalmente interpretadas no sentido não tanto da defesa do regime cubano, mas na recusa do modelo de isolamento adotado internacionalmente contra o regime de Fidel Castro. Isso, por um lado, perpetua o regime de Castro e, do outro lado, perpetua a miséria do povo cubano”, completou Viriato Soromenho Marques. O cientista político Stephane Monclaire, professor do departamento de Ciências Políticas da Universidade de Sorbonne, em Paris, acha que a política de Luís Inácio Lula da Silva ajuda a fortelecer a imagem do Brasil internacionalmente. “É uma política que corresponde ao ponto de vista pessoal do presidente Lula e do PT de muitos anos. Por outro lado, funciona como uma forma de mostrar internacionalmente o lado da esquerda politica brasileira. Como a questão econômica não é diferente do governo anterior esta é a forma de mostrar seu lado mais de esquerda," “Essa política fortalece o Brasil porque é um meio de fazer ouvir o país e ao novo presidente brasileiro, mostrando também que seu discurso é um pouco diferente do seu antecessor." O professor da Sorbonne acha que a postura de Lula em relação a Cuba não vai influir em nada na política brasileira. "Acho que não vai ter nenhuma repercussão. O que importa é saber como vai a economia brasileira. Isso não vai mudar nada em relação a questões importantes para o Brasil como o nível de desemprego". Mercosul O professor Stephane Monclaire também destacou a forma com que o governo Lula da Silva vem atuando na política de integração regional e em questões ligadas ao Mercosul. "A politica brasileira vem se mostrando muito sensível nos últimos meses na política regional, seja em relação à Colômbia, à Venezuela ou ao Mercosul. Claro que não se trata de uma solidariedade total aos problemas aos quais são confrontados os governos dos países." "Todo mundo se lembra que há duas semanas nem Lula nem integrantes do seu governo comentaram a decisão da Argentina de não pagar ao FMI. O brasileiro é sensível e ao mesmo tempo prudente", completou. |
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