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Proposta de Lula sobre Oriente Médio causa polêmica
A intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de propor que a ONU substitua os Estados Unidos como principal mediador da crise no Oriente Médio foi recebida de maneiras diferentes por israelenses e palestinos. "Acho um passo extremamente importante, porque Lula está dizendo ao mundo inteiro que é preciso colocar um basta na violência", diz o secretário-geral da Confederação das Entidades Palestinas da América Latina, Hana Sacha. Já o diretor de Relações Internacionais do Partido Trabalhista de Israel, Abraham Haezamri, diz que, se a ONU assumisse o comando do processo, "a negociação terminaria". O presidente Lula anunciou num evento em São Paulo nesta segunda-feira que vai levar essa proposta à ONU no próximo dia 23, quando discursa na abertura do debate geral na Assembléia Geral da entidade. História Historicamente, os Estados Unidos têm sido os mediadores da crise. Os Estados Unidos tiveram um papel central no acordo de paz entre Israel e Egito, em 1978, e patrocinaram os Acordos de Oslo, em 1993, entre israelenses e palestinos. O palestino Hana Sacha critica os Estados Unidos, porque o país estaria "apoiando totalmente as decisões da extrema direita israelense. A entrada da ONU seria salutar porque ela poderia ficar entre os dois lados, sem tomar partido". Apesar disso, ele acredita que o governo americano não pode ser excluído do processo de paz. "Só ele tem condições de pressionar o Estado de Israel a aceitar as condições negociadas." Ele acredita ainda que os Estados Unidos saíram com sua credibilidade abalada do conflito no Iraque, colocando em dúvida se seria apropriado ou não que o país continuasse liderando o processo de paz. Resistência Mas, para o sociólogo israelense Abraham Haezamri, a ONU é que não teria condições de assumir a liderança do plano. Ele diz que decisões tomadas por "maioria automática" poderiam prejudicar Israel, já que há muitos países árabes com representação na ONU, e eles tendem a apoiar os palestinos. "Eu me lembro do ano de 1975, quando declararam o movimento sionista um movimento racista. Só depois de muitos anos, a ONU anulou essa decisão", disse ele. "Nenhum partido daqui de Israel vai ser favorável a essa decisão." Haezamri reconhece o que chama de "boas intenções do presidente Lula em colaborar com o processo de paz", mas afirma que os Estados Unidos são os únicos aceitos pelos dois lados como mediadores. Luís Felipe Lobo Fernandes, professor de Relações Internacionais da Universidade do Minho, de Portugal, acredita que, independentemente da divergência sobre o assunto, a proposta de Lula será recebida com respeito pelos Estados Unidos. "O Brasil é o segundo país mais importante das Américas", afirma Lobo. Ele diz que o contexto atual também favorece o Brasil a apresentar essa idéia à ONU, porque os Estados Unidos estariam incentivando a participação internacional na região depois dos desafios enfrentados no Iraque. |
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