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Atualizado às: 15 de setembro, 2003 - 18h35 GMT (15h35 Brasília)
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Arafat 'não é irrelevante', diz enviado da ONU
Yasser Arafat
O povo palestino está unido em apoio ao líder ameaçado

O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) ao Oriente Médio, Terje Roed-Larsen, disse nesta segunda-feira que o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, “está longe de ser irrelevante”.

Roed-Larsen falou durante uma sessão do Conselho de Segurança da organização, convocada para discutir uma possível resolução pedindo para que Israel não realize qualquer ação hostil contra o presidente da Autoridade Palestina.

Segundo o enviado, Arafat personifica a identidade e as aspirações nacionais dos palestinos.

As autoridades de Israel vêm há meses se recusando a negociar diretamente com Arafat. No domingo, o vice-primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que seu governo não tinha excluído a possibilidade de matar o líder palestino.

Declaração unânime

O Conselho de Segurança da ONU iniciou discussões na sexta-feira sobre uma resolução condenando Israel, antes de adiá-la para esta segunda-feira.

O governo britânico convocou o embaixador israelense em Londres, Zvi Shtauber, à sede do Ministério das Relações Exteriores em Londres, para protestar contra as declarações de Olmert, dizendo que elas eram inaceitáveis.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Silvan Shalom, disse que não é política oficial de seu país matar o líder palestino, e que qualquer decisão de removê-lo não seria implementada imediatamente.

Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU divulgou uma declaração unânime dizendo que "a remoção do presidente Arafat não ajudaria e não deve ser implementada".

No fim de semana, o secretário de Estado americano, Colin Powell – que está no Oriente Médio –, disse que Israel causaria ódio entre muçulmanos ao expulsar ou matar Arafat.

Representantes dos países da Liga Árabe também discutiram nesta segunda-feira a ameaça israelense a Arafat em uma reunião na capital egípcia, Cairo.

O correspondente da BBC na cidade disse que há muito ceticismo quanto à possibilidade de que a Liga Árabe possa fazer algo para ajudar o líder palestino.

“Hipocrisia”

Fontes diplomáticas na ONU disseram que a proposta de resolução que está sendo analisada é moderada.

Dessa forma, se espera evitar um veto da mesma pelos Estados Unidos – que, de acordo com as expectativas, deve se abster do voto.

A proposta exige que Israel "desista de qualquer ato de deportação e retire qualquer ameaça à segurança do presidente eleito da Autoridade Palestina".

A resolução também condena "assassinatos ilegais e ataques terroristas suicidas".

Nessa segunda-feira, o embaixador israelense nas Nações Unidas, Dan Gillerman, acusou o conselho de Segurança de "hipocrisia" ao considerar a resolução.

Ele disse que o Conselho não havia se reunido para discutir atentados suicidas palestinos.

Entretanto, o vice de Gillerman disse que seu país usaria o debate para fazer queixas contra Arafat, que, segundo os israelenses, apoia ataques terroristas contra seus cidadãos.

Na última quinta-feira, o gabinete de Segurança de Israel disse que concordava em princípio com uma remoção de Arafat, no momento e da maneira que se escolhesse.

No domingo, milhares de pessoas saíram às ruas na Cisjordânia, Faixa de Gaza e no sul do Líbano para dar apoio ao líder, jurando lutar contra qualquer tentativa de removê-lo.

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