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Atualizado às: 11 de setembro, 2003 - 02h33 GMT (23h33 Brasília)
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Brasil 'poderia' ceder território para liberação de reféns

Guerrilheiros das Farc
Detalhes de reunião entre Farc e ONU podem ser definidos em duas semanas

O Brasil não descarta a possibilidade de ceder o seu território para uma possível liberação de seqüestrados em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Segundo o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, se essa proposta for feita, merecerá ser analisada.

"O papel atual do Brasil é de ceder o território para as negociações entre as Farc e a Organização das Nações Unidas (ONU)", disse Garcia nessa quarta-feira, antes de iniciar uma palestra sobre a política externa brasileira na Universidade Javeriana, em Bogotá.

"Se nos solicitarem outras coisas, e se o governo colombiano estiver de acordo, estudaremos estas propostas", afirmou.

A esperança de que o Brasil desempenhe o papel de mediador num eventual acordo entre o governo colombiano e a guerrilha para libertar seqüestrados foi manifestada a Garcia, durante reunião que ele manteve com uma comissão de familiares de políticos e militares que se encontram no cativeiro das Farc.

Encontro

"Eles estavam com muita esperança de que o presidente Lula pudesse desempenhar, internacionalmente, um papel positivo que favoreça a liberação dos que, no momento, se encontram detidos", disse Marco Aurélio.

"Eu disse que o presidente Lula está sempre disposto a ajudar todos as causas que representem a defesa dos direitos humanos. É interesse do governo brasileiro ajudar todos aqueles que estejam privados de sua liberdade", disse.

Conforme Garcia, os detalhes da reunião que as Farc e a ONU pretendem realizar no Brasil podem ser definidos em duas semanas.

De acordo com ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário geral da ONU, Kofi Annan, devem discutir o assunto durante a próxima assembléia geral desse organismo internacional, dias 23 e 24 de setembro, em Nova Iorque.

Esse encontro, entre representantes da ONU e das Farc, está sendo preparado desde 19 de julho, quando Annan respondeu positivamente a uma carta enviada pelo grupo guerrilheiro.

Na ocasião, Annan disse estar de acordo com a realização de uma reunião proposta pelas Farc para expor o seu ponto de vista sobre o conflito interno colombiano e tentar buscar uma solução política.

Desde então, o assessor da ONU na Colômbia, James Lemoyne, tem mantido contato direto com o líder guerrilheiro Raúl Reyes, encarregado das relações internacionais do grupo e destacado para participar das reuniões.

Reyes também foi negociador nas falidas conversações de paz com o governo do ex-presidente Andrés Pastrana.

Visita de Lula

Garcia esclareceu, no entanto, que esse não será o tema principal da visita de Lula à Colômbia, na próxima terça-feira, e de seu encontro com o presidente Álvaro Uribe.

"O presidente Lula vai participar do encontro da Organização Internacional do Café, dia 16, em Cartagena", informou.

"Ele quer dar seguimento à discussão com a Colômbia sobre a integração com o Mercosul. Conseguimos fechar um acordo com o Peru e acreditamos que o mesmo possa ser feito aqui. Além disso, acreditamos que a Colômbia pode desempenhar um papel muito positivo para apressar as negociações do Pacto Andino com o Mercosul", disse Garcia.

Segundo o assessor da Presidência, projetos da integração Brasil-Colômbia também serão analisados. Assuntos relacionados à politica, como o conflito interno colombiano, devem entrar em pauta, se a iniciativa for do presidente Uribe.

"Se isso ocorrer, nesse momento, daremos as mesmas respotas que temos dado antes mesmo do início do governo Lula", afirmou Garcia.

"Nós dissemos que o Brasil jogaria todo o seu peso para obter soluções de paz na Colômbia, se os colombianos assim nos solicitassem", completou.

Garcia salientou que o objetivo fundamental do presidente Lula é consolidar uma política sul-americana de unidade do continente. De acordo com ele, entre os temas da relação bilateral, o governo quer fortalecer iniciativas comuns no mercado internacional para a venda de café brasileiro e colombiano juntos.

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