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Atualizado às: 09 de setembro, 2003 - 09h02 GMT (06h02 Brasília)
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Uribe declara guerra a "ONGs que apóiam terror"

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe
Álvaro Uribe perdeu a paciência com as críticas ao seu governo

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, classificou como “aliados do terrorismo e traficantes de direitos humanos” um grupo de Organizações Não-Governamentais (ONGs), políticos, escritores e teóricos que criticam seu governo e, segundo ele, respaldam as ações dos grupos armados em ação na Colômbia.

Num dos discursos mais enérgicos desde que foi empossado, em 7 de agosto do ano passado, Uribe defendeu veementemente a sua política de segurança nacional e prometeu acabar com o “terrorismo no país”, colocando na cadeia todas as pessoas que têm conexões com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"Apareceram grupos de advogados, apareceram por baixo de um e outro nome como porta-vozes do terrorismo", disse o presidente durante a posse do comandante das Forças Aéreas Colombianas.

"Observo também escritores e politiqueiros que servem ao terrorismo, se escudam covardemente na bandeira dos direitos humanos e têm medo de confessar as suas aspirações políticas", afirmou.

Livro

A manifestação dura do presidente foi uma resposta ao livro elaborado pela Plataforma Colombiana de Direitos Humanos, Democracia e Desenvolvimento, uma rede que agrupa 80 das principais ONGs com atuação na Colômbia.

No trabalho, lançado na segunda-feira à noite em Bogotá, o grupo assinala que as violações de direitos humanos aumentaram durante o primeiro ano do governo de Uribe, assim como as mortes políticas em razão do conflito.

As ONGs também acusam o governo de militarizar a vida cotidiana, dificultar o trabalho da oposição política e social e negociar com os paramilitares uma política de paz que serve ao fortalecimento da guerra.

Segundo o manifesto, ocorreu um retrocesso na área social desde que Uribe foi eleito. Além disso, aumentaram as perseguições contra líderes sociais, sindicalistas e ONGs.

Em sua nova investida contra as organizações defensoras dos direitos humanos, o presidente disse que seus críticos querem “devolver ao terrorismo o que as forças militares lhes tiraram”.

Guerrilha

Segundo Uribe, alguns "politiqueiros" trabalham de acordo com a orientação da guerrilha.

"Não se pode admitir que, cada vez que aparece na Colômbia uma política para combater o terrorismo, os terroristas comecem a se sentir débeis e, imediatamente, enviem seus porta-vozes para falar de direitos humanos", afirmou.

"Muitas dessas críticas foram tiradas da página das Farc na Internet. Eles sabem que têm como única arma – a calúnia –, que, hipocritamente, se esconde atrás da bandeira dos direitos humanos", disse.

De acordo com o presidente, algumas ONGs têm recursos para publicar livros que apenas mancham a honra dos generais e dos colombianos que batalham contra o terrorismo.

De acordo com ele, essas organizações "não têm vergonha, nem pudor e enganam a opinião pública internacional com livros sem fontes sérias".

Uribe também se referia ao Informe de Desenvolvimento Colômbia 2003, que será lançado na próxima quinta-feira, trazendo uma análise profunda do conflito interno no país.

Perdedores

Segundo o material, essa é uma guerra de perdedores. A guerrilha perdeu o conflito porque não alcançou seu objetivo de chegar ao poder, enquanto o Estado fracassou por não conseguir derrotá-la.

"Aqui, não há perdedores. Aqui, o Estado e a sociedade estão ganhando", afirmou Uribe. "Sabemos que ainda falta muito. Mas, com a ajuda de Deus, nada nos deterá no caminho para derrotar o terrorismo".

Na metade de seu discurso, que durou mais de 30 minutos e foi transmitido horas depois em cadeia nacional de rádio e televisão, Uribe foi enfático ao afirmar que o governo manterá sua decisão de acabar com o terrorismo na Colômbia.

De acordo com ele, não serão apenas os guerrilheiros das Farc que irão para a cadeia.

"Vamos capturar todos aqueles que delinqüirem por cumplicidade ou ocultamento", ameaçou.

Uribe disse ainda que, apesar das críticas, garantirá a liberdade de expressão, a permanência das ONGs e a segurança dos "politiqueiros dos direitos humanos".

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