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Atualizado às: 07 de agosto, 2003 - 18h26 GMT (15h26 Brasília)
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Uribe pode ficar sem recursos para manter linha-dura, diz historiador
Alvaro Uribe
Presidente da Colômbia completou um ano de governo

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, corre o risco de, após um ano de governo, acabar sem recursos para manter sua linha-dura contra o maior grupo guerrilheiro do país, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

A avaliação é do historiador e sociólogo Luis Fernando Ayerbe, da Unesp de Araraquara, que participou do programa De Olho no Mundo, uma co-produção da BBC Brasil e da Rádio Eldorado AM de São Paulo.

O maior problema de Uribe, segundo Ayerbe, é o aumento do gasto público para combater a guerrilha. Os gastos militares do governo passaram de 3,5% do PIB para 5,8%.

"O aumento do gasto ampliou o déficit público e a questão agora é como o Estado vai manter esta política de guerra interna, sendo que o Plano Colômbia prevê o fim dos financiamentos dos Estados Unidos a partir de setembro. Este é o dilema de Uribe", afirmou Ayerbe.

Guerra civil

O sociólogo afirma que os resultados apresentados por Uribe em seu primeiro ano de mandato não demostram uma derrota das Farc na guerra civil na Colômbia, que já dura 39 anos.

Uribe é a antítese de seu antecessor, Andrés Pastrana. Ao invés de negociações de paz, o atual presidente prega um governo forte, aumentou a presença dos Estados Unidos no país com o Plano Colômbia, criou um imposto de guerra e um controvertido exército de camponeses.

Nos últimos três anos, os Estados Unidos investiram US$ 2 bilhões no Plano Colômbia.

Apesar de manter altos índice popularidade, no entanto, Uribe não conseguiu prender nenhum líder das Farc.

Brasil

Para Ayerbe, o Brasil continua mantendo sua postura de respeitar a autonomia da Colômbia em relação ao conflito civil no país.

Desde o governo Fernando Henrique Cardoso, o Brasil resiste à internacionalização do conflito.

No entanto, para a professora Beatriz Miranda, historiadora da Universidade Nacional da Colômbia, a política bilateral passou por mudanças nos últimos meses.

"O Brasil quer ajudar indiretamente a substituição do cultivo de ilícitos, através de projetos de cooperação técnica. No momento, existe um projeto para a transferência de tecnologia de plantio de cana-de-açúcar para a produção de etanol", afirma Miranda.

Para a historiadora, o Brasil não é contra o Plano Colômbia, mas não vê com bons olhos a possível presença de soldados americanos na fronteira da Colômbia na floresta Amazônica.

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