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ONU e rebeldes das Farc podem se reunir no Brasil
O Brasil poderá sediar a primeira reunião entre a Organização das Nações Unidas (ONU) e o grupo rebelde de esquerda Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) durante o governo do presidente Álvaro Uribe. O encontro foi confirmado neste domingo por Luis Carlos Restrepo, Alto Comissário da ONU para a paz da Colômbia. Segundo Restrepo, o governo colombiano já deu seu aval para a realização dessa reunião, que pretende ser o início de um possível processo de paz. Ele explica, no entanto, que ainda não recebeu a decisão oficial do Brasil: "Isto está sendo administrado de maneira informal, apesar de o governo brasileiro já ter sido consultado," afirmou. Pedido de mediação Nova Iorque, sede da ONU, foi descartada como local da primeira reunião, ao ser definido que o nível deste primeiro encontro não chegaria ao escritório do Secretário-Geral, Kofi Annan. O encontro entre representantes da ONU e das Farc está sendo preparado desde 19 de julho, quando Annan respondeu positivamente a uma carta enviada pelo grupo guerrilheiro. Na ocasião, ele concordou com a realização de uma reunião proposta pelas Farc para que o grupo pudesse expor seu ponto de vista sobre a guerra civil e tentar buscar uma solução política. Desde então, o assessor da ONU, James Lemoyne, tem mantido contato direto com o líder guerrilheiro Raúl Reyes, encarregado das relações internacionais do grupo e destacado para participar das reuniões. Reyes também foi negociador nas falidas conversações de paz com o governo do ex-presidente Andrés Pastrana. Troca de e-mails Lemoyne e Reyes já trocaram dezenas de e-mails para fechar os detalhes da viabilização deste encontro no Brasil. Nesse período, representantes das Farc voltaram a dar entrevistas para a imprensa, se propuseram a receber membros da igreja e mostraramm provas de que vários politicos, militares e os americanos Marc Davis González, Thomas Howel e Keith Stansell, seqüestrados pelo grupo rebelde, continuam vivos. Ontem, foi divulgado um vídeo com uma mensagem da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada durante a campanha e em poder do grupo desde 23 de fevereiro de 2002. Dessa forma, o grupo guerrilheiro trouxe de volta a discussão sobre o tema da realização de um acordo humanitário, prevendo a troca de alguns seqüestrados por rebeldes presos em cadeias colombianas. Mudança de tática Analistas colombianos classificaram como positiva a intenção da guerrilha em realizar a reunião no Brasil. O ex-ministro colombiano das Relações Exteriores, Augusto Ramírez Ocampo, disse que o grupo se deu conta de que todas as atitudes que tomou contra as iniciativas de paz tanto dentro da Colômbia, como a nível internacional, liquidaram as Farc politicamente. "Eles fizeram sua própria autocrítica e se deram conta de que têm de modificar seu comportamenteo para ganhar espaço junto à ONU e à comunidade internacional”, disse Ramírez Ocampo. O ex-procurador da República, Jaime Bernal Cuellar, acredita que se a reunião entre Raúl Reyes e James Lemoyne realmente ocorrer no Brasil, estará sendo aberta uma nova possibilidade de saída negociada do conflito armado colombiano, que já dura mais de 38 anos. Amigos da Colômbia Segundo reportagem publicada hoje no jornal colombiano El Espectador, as Farc querem também a presença na reunião do antigo grupo de países amigos, formado por França, Suécia, Suíça, Espanha, Cuba, México, Venezuela, Canadá, Noruega e Itália. Todos esses países incluíram as Farc em suas listas de organizações terroristas depois do fracasso das negociações de paz na Colômbia, em fevereiro do ano passado. Com a presença destes países, segundo o jornal, o cenário se ampliaria e, para as Farc, serviria “para explicar sua proposta de um novo governo para a paz”. Em dezembro do ano passado, a guerrilha defendeu a consolidação de um governo provisório como caminho para terminar a guerra civil. Um conselho formado por 12 personalidades dos setores empresariais, sindicais e sociais governariam de maneira transitória, enquanto se concluiria o processo de negociação, de acordo com a proposta dos rebeldes. Na reunião, que ainda não tem data marcada, o governo colombiano não teria participação. Conforme avaliação do El Espectador, se o resultado da reunião for positivo, o Brasil seria um dos grandes vencedores. "Além de ser a locomotiva latinoamericana na economia, seria também o líder da paz da região, ajudando a Colômbia", diz a reportagem. "O presidente Lula é para toda a região a demonstração de que é possível alcançar o poder a partir das bases populares em um país com altos níveis de pobreza, sem necessidade de guerrilhas. O Brasil investe em seu papel de líder político regional e não apenas econômico", afirma o El Espectador. |
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