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Atualizado às: 06 de setembro, 2003 - 18h56 GMT (15h56 Brasília)
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Análise: é o fim do plano de paz?

Yasser Arafat aceitou a renúncia do premiê Abbas
Yasser Arafat aceitou a renúncia do premiê Abbas

A saída do primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, significaria confusão para o futuro do plano de paz do Oriente Médio.

O plano já é um documento que não está recebendo muita atenção.

Os palestinos têm falhado na repressão aos grupos militantes.

Israel iniciou um confronto aberto com o Hamas, inclusive contra as suas lideranças civis. Os militantes decretaram o fim do cessar-fogo.

Se Mahmoud Abbas, conhecido como Abu Mazen, deixar o gabinete, a figura palestina mais identificada com o plano de paz não estará mais lá para defendê-lo, mesmo se um sucessor vier para seguir a sua política.

As conseqüências poderiam ser as seguintes:

* Israel poderia decidir expulsar Yasser Arafat. O ministro da Defesa de Israel fez essa defesa antes de Abbas submeter a sua renúncia. Outros ministros o dariam apoio

* Arafat talvez reapareça como uma figura a ser considerada. Israel, no entanto, não vai aceitar negociar com ele ou com alguém visto como seu porta-voz no posto de premiê

* Os Estados Unidos, com suas atenções voltadas para o Iraque, podem se afastar do processo de paz ou pelo menos reduzir seu envolvimento na empreitada

* Outros palestinos podem decidir se juntar aos grupos militantes na guerra contra Israel, que deve continuar

* A construção do muro/cerca em torno da Cisjordânia vai continuar

Os problemas do plano de paz

A disputa por poderes entre Arafat e Abbas mostra dois pontos fracos do processo de paz patrocinado pelos Estados Unidos.

O primeiro é que os palestinos não estão unidos. O plano, como uma vez previsto por Israel e pelo quarteto que o formulou (Estados Unidos, União Européia, Rússia e Nações Unidas), era que Arafat se aposentaria, viraria um líder figurativo e deixaria o trabalho para Abbas.

Arafat, no entanto, não está disposto a se aposentar. Ele manteve o controle de uma boa parte das forças de segurança, sem a qual não haverá repressão contra os grupos militantes.

Isso significa que não há uma única fonte palestina de poder para negociar com Israel.

O segundo ponto fraco é que o plano não poderia lidar com os grupos militantes.

É verdade que ele chamaram um cessar-fogo, mas não há trégua dos militantes previstas no processo de paz.

Em vez disso, a Autoridade Palestina deveria desmantelar "a infra-estrutura terrorista e as suas capacidades", coisa que não fez, preferindo prolongar o cessar-fogo.

Israel não ficou feliz com isso e continuou a mirar nos ativistas do Hamas. Isso fez o Hamas retaliar, como no atentado contra um ônibus em Jerusalém, detonando de novo o ciclo de violência.

A política de Israel agora virou guerrear contra o Hamas e outros grupos militantes até a vitória final. O Hamas, provavelmente, vai tentar revidar.

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