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Atualizado às: 04 de setembro, 2003 - 16h28 GMT (13h28 Brasília)
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Reaproximação de Arafat e Abbas deve falhar, dizem analistas

O primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas
Abbas está há cem dias no cargo de primeiro-ministro

A indicação do negociador palestino Saeb Erekat não resolve a disputa de poder entre o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, e o primeiro-ministro Mahmoud Abbas, na opinião de analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Para o cientista político Alberto Spektorovski, ao colocar "um homem de Arafat" à frente das negociações com Israel, Abbas – também conhecido como Abu Mazen – está tentando se aproximar do presidente da Autoridade Palestina.

"É uma manobra inteligente, mas não acho que vá aplacar o conflito", afirmou Spectorovski.

O cientista político Nathan Brown, da Universidade de George Washington, nos Estados Unidos, também acha que as grandes divergências entre Abbas e Arafat persistem e ressalta que a maior delas é a disputa sobre controle das forças de segurança.

Foi justamente essa questão que levou Abbas a ameaçar a renunciar nesta quirta-feira. O primeiro-ministro quer que as forças sejam submetidas a ele, e não a Arafat, como é hoje.

Portanto, Abbas não teria poderes, por exemplo, para empreender uma campanha de repressão a grupos armados palestinos.

'Mais fraco'

De qualquer forma, para o especialista em Assuntos Palestinos da Universidade de Tel Aviv Joshua Teitelbaum, a indicação de Erekat mostra o enfraquecimento de Abbas.

"Ele está cedendo poderes para Arafat e ficando cada vez mais fraco", afirma Teitelbaum.

Nathan Brown, no entanto, lembra que Erekat não é o primeiro "homem de Arafat" no círculo de poder de Abbas. "Muitos membros do seu gabinete têm ligações com Arafat."

Além disso, nem todos acreditam que a tentativa de ganhar controle sobre o aparato de segurança denote uma intenção de Abbas de jogar duro com os grupos militantes.

Para Joshua Teitelbaum, o primeiro-ministro palestino está disposto a pressionar grupos como o Hamas e Jihad Islâmico por meio do diálogo, mas não pela força.

Plano de paz

Seja como for, na avaliação de Teitelbaum, a disputa interna na Autoridade Palestina paralisa o mais recente, e já cambaleante, plano de paz.

"A base do plano de paz é o combate ao terrorismo. Se o lado palestino não consegue fazer isso, fica inviável", afirmou Teitelbaum.

A Autoridade Palestina, no entanto, diz que quem não está cumprindo a sua parte no plano de paz é Israel. "Se Israel quisesse, terminaria a ocupação já (com Abbas ou com Arafat)", afirmou uma fonte da organização à BBC Brasil.

De fato, alguns analistas, como Alberto Spektorovski, da Universidade de Tel Aviv, acreditam que a briga dentro da Autoridade Palestina favorece o estilo linha dura do governo de Ariel Sharon.

Para Spectorovski, nem uma eventual solução das divergências entre Arafat e Abbas traria avanços para as negociações.

"O que temos agora é uma guerra total de Israel contra o Hamas, à qual a Autoridade Palestina assiste. Para que mude, é preciso algo mais drástico."

Na opinião do cientista político, isso só poderia acontecer se os Estados Unidos pressionassem Israel a mudar a atitude em relação aos palestinos.

Josgua Teitelbraum, da Universidade de Tel Aviv, concorda que os dois lados dificilmente chegarão a um acordo sem uma maior interferência de Washington e vai além: para que o plano de paz avance, na sua opinião, é preciso mandar tropas americanas para os territórios palestinos.

O próprio Teitelbraum, no entanto, reconhece que é improvável que os Estados Unidos tomem a iniciativa de ampliar ainda mais a sua presença militar em regiões de conflito.

Uma fonte da Autoridade Palestina, no entanto, desqualificou a discussão sobre a briga de poder entre Arafat e Abbas, frisando que, na "democracia palestina", o primeiro-ministro está submetido ao presidente.

Segundo esse funcionário, a nomeação de Saeb Erekat já estava prevista. "Erekat havia renunciado ao cargo (de negociador-chefe) na Autoridade Palestina, mas a mantinha (um cargo de mesmo nome) no Organização pela Libertação da Palestina (OLP)".

A OLP é o órgão encarregado das negociações com Israel.

Spektorovski também não acredita que a estratégia de negociações vai mudar muito com a entrada de Erekat.

Segundo ele, as críticas de Abbas a Israel e aos Estados Unidos no seu discurso no gabinete palestino fazem parte da retórica palestina, mas não denotam a volta do estilo mais agressivo de Arafat. "Não acho que vai haver uma mudança radical."

"Erekat é mais experiente, mais direto e conhece os truques de como lidar com Israel, mais direto", diz o funcionário da Autoridade Palestina. "Em termos de sucesso, todos eles (negociadores) tiveram nota zero, mas isso também foi culpa de Israel."

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